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O Parque de diversões ou Bete Balanço ou “EU NÃO VOU JANTAR HOJE, MAMÃE”!

Sua mãe havia acabado de chamá-la para jantar.

Ela disse que não estava com fome, que iria dar uma volta pela rua antes de jantar.

Sua mãe ainda tentou argumentar algo, mas, ela não ouviu, saiu antes.

Andou, andou, andou e encontrou um colorido parque de diversões.

Há quanto tempo eu não vou num lugar como esse? Ela pensou.

Como sempre fazia em tudo em sua vida, ponderou os prós e os contras de sua atitude.

Se entrasse no parque de diversão iria com certeza se divertir muito, recordar épocas  distantes, saudade, tantas lembranças. Por outro lado, os freqüentadores do parque poderiam achá-la esquisita, ela já era adulta, e não ficava bem brincar em parque de diversão sozinha numa segunda feira à noite. Nem para eu ter um filho nessas horas. Ela pensou. Ponderou, poderou e entrou, decidida.


O primeiro brinquedo que ela quis brincar foi o carrinho de trombada. Comprou as fichas e entrou. Estava excitante e excitada. Selecionou o carrinho que queria e foi. O carrinho escolhido era azul. O parque inteiro ecoava uma música deliciosa e aquelas cores todas, deixaram-na muito feliz. Finalmente o brinquedo começou a funcionar. Seus “rivais” no carrinho eram um menino gordinho e uma menina loirinha de lindos lacinhos rosa no cabelo. Ela foi com tudo na menina loirinha de lindos lacinhos rosas no cabelo. Foi com tanta força que a menina bateu com a cara no volante do carrinho. Saiu  sangue da boca da menina loirinha de lindos lacinhos rosa no cabelo. A mãe da menina loirinha de lindos lacinhos rosa no cabelo entrou desesperada dentro do “ringue”. Ela então não teve dúvidas, perseguiu a mãe da menina sem dó e sem piedade. Era uma guerra e ela queria ser a vencedora. O menino gordinho alertado por seu pai deixou o carrinho e ameaçou sair correndo. Ela olhou e viu o menino gordinho saindo. Pensou em persegui-lo. Mas, ponderou rapidamente e decidiu que suas rivais verdadeiras ali eram a mãe e menina loirinha de lindos lacinhhos rosa no cabelo. O menino gordinho está naturalmente fadado ao fracasso. Ela pensou. A menina loirinha de lindos lacinhhos rosa no cabelo estava com o carrinho parado, chorando muito. A mãe tentava fugir como podia. Até que foi violentamente acertada pela mulher enlouquecida do carrinho de trombada. A mãe da menina loirinha de lindos lacinhhos rosa no cabelo ficou caída gemendo no chão. A mulher enlouquecida do carrinho de trombada saiu correndo.


O outro brinquedo que queria entrar era a roda gigante. Correu até lá e entrou na gaiola. O funcionário ligou a roda gigante. A movimentação do brinquedo deixou-a pensativa. A roda gigante era seu brinquedo preferido. A roda gigante é uma metáfora do mundo. Ela pensou e sorriu. A roda gigante sou eu. A roda gigante é minha vida. A roda gigante é como as minhas alterações de humor. A roda gigante é como minha mudança de personalidades. Ora lá em cima. Ora lá embaixo. Ora lá em cima. Ora lá embaixo. O rádio do parque de diversões começou a tocar uma música que ela adorava dançar quando ainda era uma adolescente desengonçada. “Pode seguir a tua estrela, o teu brinquedo de 'star'. Fantasiando um segredo, no ponto a onde quer chegar...”. Cazuza. Ela pensou. Eu adoro essa música. Ela pensou novamente. Então, ela olhou o céu. A noite estava bonita. Estrelada. A lua imponente lá no alto. Que lindo! Que lindo tudo isso! Ela pensou. De repente, a roda gigante parou. Pela primeira vez ela estava tão segura lá no alto. Ninguém pode me tirar daqui. Ela pensou. Esse é lugar é meu. Ela pensou novamente. Cazuza cantava “Não ligue pr'essas caras tristes, fingindo que a gente não existe. Sentadas, são tão engraçadas.” Ele está comigo. Ela pensou. Ele está do meu lado. Ela pensou novamente. Lá de cima da roda gigante, ela começou a dançar, igualzinho quando era apenas uma adolescente desengonçada. “O teu futuro é duvidoso.Eu vejo grana, eu vejo dor...”. Ela cantou bem alto. Num transe absoluto. Tirou a calça jeans. Tirou a camiseta. Tirou a calcinha. O sutiã não tirou, pois não usava. Ficou nua e dançou. Apenas dançou. “Quem vem com tudo não cansa. Bete balança o meu amor... Me avise quando for a hora...” Quando chegou nessa parte da música, ela pulou lá do alto da roda gigante. Antes de pular gritou “EU NÃO VOU JANTAR HOJE MAMÃE”!

 

E sorriu. Sorriu muito.


E Cazuza continou a ecoar no parque de diversões.



Escrito por Mateus Barbassa às 03h34
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UMA VERDADE INVENTADA OU MENTIRAS SINCERAS OU "NINGUÉM ACREDITARIA EM MIM MESMO" ou O garotinho de 9 anos de idade abusado sexualmente em troca de figurinhas da novela de vampiros

O garoto fora abusado sexualmente na infância, especificamente aos nove anos de idade.

O homem que o abusou sexualmente na infância era amigo de seus pais e dono de banca de revistas.

O garoto de nove anos de idade se “deixou” abusar em troca de pacotes de figurinhas de vampiros.

O pai do garoto passa por debaixo da sacada do apartamento no exato instante que o garoto de nove anos de idade, seu filho, esta sendo abusado pelo homem, seu amigo e dono da única banca de revistas da rua, em troca de pacote de figurinhas de vampiros, mas não o vê.

O garoto guarda segredo.

Dezenove anos se passam e o garoto abusado agora é um homem de 28 anos de idade.

O garoto abusado agora homem de 28 anos passa por um posto de gasolina e tem a leve impressão que aquele homem que está encostado no carro é o mesmo que o abusou na infância, quando ele era apenas um garoto de nove anos de idade.

O garoto abusado agora homem de 28 anos para e fica olhando o homem encostado no carro possível homem que o abusou na infância, amigo de seus pais e dono da única  banca de revistas da rua em que ele morava.

O garoto abusado agora homem de 28 anos tem um gesto ousado e chama o homem encostado no carro.

- “Hei, você não é o fulano?”

- “Sou, você é o sicrano não é?”

- “Sou!”

O garoto abusado agora homem de 28 anos tem mais um gesto ousado e estende a mão para o ex-homem encostado no carro agora homem que o abusou quando ele tinha nove anos de idade.

Os dois se cumprimentam.

O garoto abusado sexualmente agora homem de 28 anos de idade pensa se o ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou sexualmente quando ele tinha nove anos de idade se lembra do ocorrido de há 19 anos atrás?

O garoto abusado sexualmente agora homem de 28 anos de idade quer perguntar ao ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou sexualmente quando ele tinha nove anos de idade se ele se lembra do ocorrido de há 19 anos atrás?

Mas o garoto abusado sexualmente agora homem de 28 anos de idade não tem a coragem necessária de perguntar ao ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou sexualmente quando ele tinha nove anos se ele se lembrava do que ocorreu há 19 anos atrás?

Talvez o garoto abusado sexualmente agora homem de 28 anos de idade tenha medo que o  ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou quando ele tinha nove anos não se lembre do que ocorreu há 19 anos atrás.

O garoto abusado sexualmente agora homem de 28 anos de idade quer que pelo menos o ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou quando ele tinha nove anos de idade guarde dele uma recordação boa, que se lembre às vezes do abuso e até bata uma punheta de vez em quando e goze fartamente pensando no abuso sexual que praticou com um garotinho de nove anos de idade.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade agora homem de 28 anos de idade sente uma vontade horrível de chorar, de gritar para todo mundo ouvir “hei gente esse homem que estava a pouco encostado no carro, me abusou sexualmente quando eu tinha nove anos de idade e em troca me deu pacotes de figurinhas de vampiros e o meu pai passou debaixo da sacada onde eu estava sendo abusado, mas não me viu”.

Mas o garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade não grita.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade sabe que ninguém acreditaria nele.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade vai embora sem se despedir do ex-homem que estava encostado no carro agora homem que o abusou sexualmente quando ele tinha nove anos de idade.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade pensa durante o trajeto “ninguém acreditaria em mim mesmo...”.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade agora homem de 28 anos de idade se joga da ponte mais próxima.

O garotinho abusado sexualmente aos nove anos de idade agora homem de 28 anos de idade morre.

Ao seu enterro comparece mãe, pai, avó, duas irmãs e o homem que estava encostado no carro no posto de gasolina.

FIM.




Escrito por Mateus Barbassa às 23h50
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SE (RE) VIRA PROVINCIÃO!

Publiquei a seguinte opinião no meu facebook: 

´”Pois é... estão dizendo por ai, que Ribeirão acordou e coisa e tal. Eu penso exatamente o oposto. Essa onda de protestos e "juventude engajada" só comprovam (e reforçam) que estamos cada vez mais chafurdados (e sem a possibilidade de volta) num capitalismo selvagem. Vendo o facebook de alguns participantes e líderes dos tais movimentos, percebi claramente aquilo que querem negar: as relações que estabelecem com os outros e com a própria cidade é meramente financeira. #FicaDica”

Um amigo publicou alguns minutos depois em seu facebook a seguinte postagem:

“Vejo gente aqui no face só reclamando do Brasil, do comportamento do brasileiro e etc, da cidade e dos conterrâneos... e o que é pior, reclama e critica quando surge uma leva de pessoas, tbm cansada da atual situação, que resolve fazer alguma coisa para protestar, demonstrar alguma insatisfação! Acusa que esses não fazem isso por ideologia, mas sim pq querem "estar lá"... mas os mesmos que reclamam e criticam, só fazem isso, não tomam nenhum atitude! É fácil se colocar numa posição de superioridade com altíssimos níveis de arrogância, apontar dedos, criticar mas não fazer nada... Ufa, desabafei! Complementando, acredito que ser inteligente, saber escrever bonito, usar palavras rebuscadas, não dá o direito a alguém ser arrogante e menosprezar uma massa que resolve se revoltar, mas além disso, tomar uma atitude ao invés de deslanchar uma verborragia que só serve pra mostrar o quanto a pessoa fala muito e faz quase nada! Quando tive uma insatisfação em relação a Ribeirão Preto, busquei outros ares, e voltei! Acho que se vc não está satisfeito e não quer fazer nada pra mudar, mude-se, procure onde vc acredita que será feliz... seja uma cidade ou um país! Agora sim, desabafei!”

Diante do ocorrido, me senti impelido a responder didaticamente tal postagem:

Em primeiro lugar, não falei da "leva de pessoas", leia direito e não coloque palavras onde não as disse. Meu questionamento não é em nenhum momento com a "leva de pessoas", longe disso. Meu questionamento é e sempre será com que leva a "leva de pessoas".

Segundo: sobre a forma como escrevo ser arrogante, desde cedo aprendi que os limites de minha linguagem são os limites do meu mundo, portanto... Isso é conclusão tua. Que eu respeito e não questiono. Mas nunca precisei falar "noix vai e noix vem" para me comunicar com quem quer seja. Tenho discernimento para quem falo e onde falo.

Terceiro: Minha insatisfação não é com Ribeirão Preto. Novamente você entendeu o que quis entender. Não tenho necessidade de novos ares. Se isso foi uma necessidade tua, respeito-a, lógico. Mas não é a minha. Ir e voltar são sempre a mesma coisa. A minha "insatisfação" (não sei se é essa a palavra, mas como você usou-a, vou usar também) não é com a cidade. Mas com o que a cidade faz com o indivíduo. A separação total entre indivíduo e pessoa. E como apesar de questionarmos dependemos desse Estado-Pai. Meu questionamento é mais profundo, porque ultrapassa essa noção tão decadente de organização espacial e social.

Quarto: Não quero ser uma cidade ou um país. Quero algo muito mais simples (não simplório), algo que temos, mas perdemos; quero o terreno.

Quinto: Sobre fazer, ou não fazer ou fazer quase nada, isso é um julgamento teu. É tão complicado julgar no calor do acontecimento quem faz ou não faz. A história é quem julga, não? E a história está aí para a gente dar uma olhada e ver onde leva toda essa suposta euforia juvenil. Que chego a dizer que é até necessária. Mas chega uma época em que você percebe que as coisas são um pouquinho mais complexas que isso. E aí que você questiona tudo isso. Mas essa é minha história e minha reflexão.

Penso parecido com isso aqui Ó:

"Hoje, a ameaça não é a passividade, mas a pseudoatividade, a ânsia de ser "ativo", de "participar", de mascarar a Nulidade do que acontece. Todos intervêm o tempo todo, "fazem alguma coisa", os acadêmicos participam de "debates" sem sentido e assim por diante. Mas a verdadeira dificuldade é dar um passo para trás, é se afastar disso tudo."

{Slavoj Žižek}

Sexto: A arrogância é necessária ao artista. Não sou humilde e muito menos falsamente humilde. A arrogância é necessária, pois é uma atitude de vida. De chamar a responsabilidade para si, a responsabilidade dos seus atos. Não me escondo atrás de grupinhos, nem de ideologia. Analiso uma situação e a coloco sob várias perspectivas até chegar a uma possível resposta. E só emito uma opinião quando chego a isso. Do contrário, calo-me. E se nesse caso, eu falo, é porque sei o que está escondido por debaixo de tanta boa vontade. Não da "leva de pessoas", mas de quem leva a "leva".

 



Escrito por Mateus Barbassa às 23h34
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TIME TO DANCE ou A Violência Esvaziada

O duo francês do "The Shoes" lançou hoje um clipe magnífico da música "Time to Dance". Dirigido por Daniel Wolfe e estrelado pelo astro Jake Gyllenhaal, o clipe (na verdade, um curta-metragem de quase nove minutos) mostra um psicopata em ação.

Ele mata. Ele faz academia. Ele come. Ele faz a barba. A música extremamente dançante e hipnótica aumenta a tensão das imagens. Utilizando-se de uma linguagem hiper-violenta, o diretor conta a história de um homem que escolhe suas vítimas em baladas. Ele só mata quem está dançando. Eis o esdrúxulo de toda a história. As mortes são mostradas de maneira fragmentada e pouco importa quem são as vítimas. O que importa aqui é a maneira encontrada pelo homem em escolher suas potenciais vítimas e também como acontece as mortes. As imagens da rotina diária do homem que mata entrecortam os crimes. E não representam uma pausa ou alívio nos acontecimentos, muito pelo contrário. O clima de tensão dura o clipe todo. E o ator Jake Gyllenhaal representa de maneira minimalista e intensa. Seu desempenho é a alma do clipe. O interessante de tudo isso é que o diretor encontra um ponto de tensão genial na maneira como apresenta a violência extremada do clipe, ele nos provoca, instiga e nos torna cúmplices daquele roteiro fatal. A violência apresentada é vazia de significado ou explicações. Ela é. Isso basta. Baudrillard escreveu que "essa violência é, no fundo, a forma explosiva como a ausência de acontecimento assume. Ou melhor, a forma implosiva: é o vazio político (mais que o ressentimento deste ou daquele grupo), é o silêncio da história (e não o recalque psicológico dos indivíduos), é a indiferença e o silêncio de todos que implodem nesse acontecimento".

 

Sintomático.



Escrito por Mateus Barbassa às 17h53
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O fotógrafo francês Benjamin Bechet encontrou uma forma genial para discutir o preconceito e a xenofobia. Longe de manifestos intelectualizados e ou protestos que atingem somente uma pequena parcela da população, ele nos apresenta um projeto chamado "Je suis Winnie l’Ourson" (Eu sou o Ursinho Puff) onde figuras icônicas da sociedade de consumo e do entretenimento "perdem" seu valor de espetáculo e buscam empregos considerados "marginalizados" ou sub-empregos. O efeito é devastador e imediato. A estigmatização do outro revela mais sobre nós mesmos do que qualquer outra coisa. Ao negarmos aos outros, a possibilidade de exercerem suas identidades multiplas e extremamente complexas, acabamos rotulando, simplificando e reduzindo o outro. Pessoas invisíveis, sem glamour, sem identidade, nem mesmo desejo ou vontade, apenas arremedos de meus desmandos em troca de um salário de fome no fim do mês. Daí que Bechet nos provoca com suas fotos em que personagens como Batman, Branca de Neve e o próprio Mickey são mostrados como empregados informais e ou ilegais. O fotógrafo diz que desenvolveu o projeto "para lembrar que uma pessoa nunca é o que vemos, mas sempre algo mais complexo, cada identidade é parcial, todos somos um."


Veja abaixo as fotos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O projeto de Bechet dialoga com a obra de outro fotógrafo francês O fotógrafo francês Thomas Czarnecki que criou uma série de fotos bastante interessante e peculiar: O que teria acontecido às princesas da Disney após o "E foram felizes para sempre...?" Essas fotos também foram postadas neste blog:

http://migre.me/864OM

 



Escrito por Mateus Barbassa às 20h51
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"O AMOR É LINDO" ou O Rafinha Bastos estava certo.

 

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço."

Pois é, meses depois dessa declaração abominável do apresentador e “humorista” Rafinha Bastos, fomos brindados com mais uma pérola sobre o assunto.
O apresentador e “jornalista” Pedro Bial após exibir cenas editadas de um caso de estupro no reality show “Big Brother Brasil” saiu-se com a seguinte frase: “O Amor é lindo!”. Tudo isso dito com um enorme sorriso no rosto (como convêm a todo apresentador de TV). Cinismo Puro ou ele realmente acredita que aquilo não foi um estupro?


Para quem acompanhou ontem a festa no tal programa ficou claro o quanto Monique fugiu do Daniel. Lógico que ela bebeu. Lógico que ela brincou. Lógico que quando percebeu que o negócio estava indo longe demais, deu um chega pra lá no cara.
Mas, na hora em que ela estava dormindo e absolutamente desacordada o tal do Daniel aproveitou-se da situação e começou a fazer movimentos suspeitos com o corpo inerte de Monique. Que não reagiu em momento algum. Permaneceu inerte o tempo todo. Não sei se todo mundo sabe, mas o fato é que os quartos possuem menos camas do que o número de participantes. Óbvio que é para forçar um contato físico maior entre os participantes e negócio rolar mais fácil. No dia anterior ao estupro, o mesmo participante (Daniel) já tinha tentado abusar de Mayara, que ficou puta da vida, mas foi aconselhada pelos participantes a deixar pra lá. O cara é reincidente, vejam só!

O fato é que durante todo o dia de hoje, a maioria das pessoas estava indignada com a postura do Daniel. Monique que não se lembrava de nada foi chamada ao confessionário para dizer o que realmente teria acontecido. Ela teria dito que não se lembrava. Ela foi perguntar para Daniel e ele disse que só foram uns beijinhos e mais nada e que era pra ela desencanar, senão a produção poderia prejudicá-la na edição do programa.

E o que de fato aconteceu. Bial não se pronunciou sobre assunto, excetuando a frase infeliz (“O amor é lindo”). Boninho (diretor do programa) não tomou nenhuma atitude em relação ao ocorrido, o que gerou uma série de protestos na internet.

Pra mim, o pior de tudo foi a postura da Globo, do programa, do Boninho e do Bial. Depois de tudo, o Bial vira com um sorriso largo no rosto e diz: "O AMOR É LINDO!" Como assim? Mas não dá pra se surpreender muito não. Bial quando casado com a atriz Giulia Gam batia nela e tudo o mais. Deu o maior rolo na época, mas hoje pouca gente se lembra. Não podemos esquecer (de jeito nenhum) que o programa é comandado e apresentado por homens e são eles que decidiram se foi estupro ou não. A mulher como (quase) sempre fez o papel de mero arremedo dos desejos e desmandos dos homens. Não podemos esquecer também que todos nós (como sociedade) somos culpados de um crime como esse. Sim. Pois os estereótipos sexuais são bastante disseminados ainda em nossa cultura. Meninas e Meninos são criados de maneira bem diferentes no Brasil. Enquanto aos meninos é dado o mundo, às meninas resta apenas a casa. Meninos são estimulados a "comer" o maior número de meninas possíveis. Meninas guardem o dom mais precioso que vocês possuem. Meninos quando saem com várias meninas são garanhões, são bem vistos. Meninas quando fazem o mesmo são consideradas vadias e geralmente são expulsas de casa. Algo bem próximo disso aconteceu na novela “Insensato Coração” da mesma emissora: Uma garota (filhinha de papai) perdia a virgindade sem o “consentimento” da família. O Pai descobre, bate e xinga a filha e a expulsa de casa. Os espectadores todos ficaram ao lado do pai. Óbvio. Afinal, existe desgraça maior do que ver sua filhinha linda criada com todo o amor e carinho dando o que é dela para um marmanjão qualquer por ai?

Essa história toda me fez lembrar de uma cena que constava no espetáculo que eu dirigi chamado “Tirania” que foi apresentado no ano passado no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. A cena retirada de um caso real que aconteceu em Silsbee, uma pequena cidade do Texas, mostrava (de forma brechtiana, claro) o calvário que uma líder de torcida de 16 anos passou numa festinha de sua escola. Ela bebeu demais, deu uns amassos num menino e também beijou uma colega de classe. Até ai, nada muito diferente do que ocorre sempre nesse tipo de festinha. A coisa mudou de figura, quando um jovem astro do futebol americano chega à festa, leva a moça para um quarto, e a estupra. O caso correu o mundo, pois a culpa ficou sendo da garota. Afinal, ela não tinha se comportado como uma garota decente deveria se comportar. Sim. Garotas são estupradas e a culpa é sempre delas mesmas. Afinal, ficam andando com roupas curtas, rebolam nas festas, bebem demais e ainda por cima são promíscuas. Ouvir ou ler isso em pleno século XXI é algo que enoja e demonstra o quão atrasados ainda estamos nesse assunto. Vivemos numa sociedade onde a vítima é criminalizada e o estuprador é considerado o “pegador” da turma. Vivemos numa sociedade onde se ensina às mulheres a não ser estupradas, ao invés de não se estuprar. Vivemos num mundo onde se uma mulher bebe e fica com mais de um numa festa, isso se torna uma convite ao estupro. Vivemos numa sociedade onde as mulheres são meros depósitos de porra de homens covardes como Daniel, Bial, Boninho e toda corja que acredita que estupro é a mesma coisa que amor e que isso é lindo. Habitamos um mundo onde o estuprador merece um abraço. Quem diria que Rafinha Bastos estaria certo, hein?

 



Escrito por Mateus Barbassa às 01h44
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Vou postar um trecho do livro mais famoso de Clarice Lispector, "A HORA DA ESTRELA", como epígrafe de uma matéria que acabei de ler no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto:

"Macabéa - Nessa rádio eles dizem essa coisa de "cultura" e palavras difíceis, por exemplo: o que quer dizer "eletrônico"?

Silêncio.

Olímpico - Eu sei mas não quero dizer.

Macabéa - Eu gosto tanto de ouvir os pingos de minutos do tempo assim: tic-tac-tic-tac-tic. A rádio Relógio diz que dá a hora certa, cultura e anúncios. Que quer dizer cultura?

Olímpico - Cultura é cultura - continuou ele emburrado. -- Você também vive me encostando na parede.

Macabéa - é que muita coisa eu não entendo bem."

http://www.jornalacidade.com.br/editorias/caderno-c/2011/12/05/conselho-municipal-da-cultura-elege-novos-representantes.html

Pois é minha menina infante, eu também não saberia te dizer o que é cultura. Acho que a resposta de Olímpico de Jesus seja a mais correta. Cultura é Cultura. Sim.

Eu olho essa matéria publicada na "Cidade" e na boa, não me sinto representado por esse suposto Conselho.

Detesto esse "culturalismo pseudo-regionalista" e sua face mais nefasta que é aparentar uma suposta isenção quando na verdade o que está em pauta é bem outra coisa.

Cai nessa armadilha quem quer. Essa diversidade vendida como "olha que é coisa boa" é algo envelhecido que não combina em nada com tudo aquilo que a arte pode e deve ser.

Apenas repetições de padrões pré-estabelecidos. Apenas mais do mesmo.

"A forma de governo mais adequada ao artista é a ausência de governo. Autoridade sobre ele e a sua arte é algo de ridículo". {Oscar Wilde}

Aproveito o ensejo e faço algumas INDICAÇÕES DE CHAPAS PARA O PRÓXIMO CONSELHO MUNICIPAL DA CULTURA DE RIBEIRÃO PRETO:

- Micaretas

- Rodeios

- Dançarinas de Axé

- Bicheiros

- Massagistas (vulgo prostitutas)

- Camelôs

- Ciclistas "Verdes" (não confundir com palmeirenses)

- Degustadores de Chopp do Pinguim

- Locutores de Saldão das Casas Bahia e genéricos

- "Boladores" de Cannabis sativa (afinal, "bolar unzinho tb é artesanal)

- Malabaristas e Pirofágicos de Sinal

- Palhaços que insistem em levar tal arte como "meio de vida", mesmo sem nunca terem dormido debaixo de uma lona de circo rasgada ou dentro de kombis velhas.

- Pedreiros ( construir uma casa tb é "arte".)

- Tosadores de Cachorros (Sim. Estética Animal tb é "arte")

- Cabelereiros e Maquiadores de Madames (afinal, transformar aquelas senhores horrendas em clones de Ana Paula Arósio's é uma "arte" e tanto)

- Tiradores de Racha (tb é uma "arte", né?)

- Jogadores de Futebol

- Ladrões (afinal, invadir casas, arrombar caixas eletrônicos e ainda fugir da polícia é coisa de artista e dos grandes... )

- Diretores de ONG's (tão pensando o quê? Beber wisky doze anos, fumar charutos "cubanos" e pegar prostitutas nas esquinas da Nove de Julho e depois defender o Comunismo para os alunos é uma grandessíssima "arte". Sim. A arte do cinismo. Essa categoria merece uma chapa, não?) 

E por fim, mas não menos importante, temos aquela categoria que é cara da nossa querida Ribeirão Preto. Sim.

- Os Cortadores de Cana. (Essa é a nossa maior cultura. Junto com o chopp do Pinguim, logicamente.)

 

 



Escrito por Mateus Barbassa às 17h19
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AS MULHERES QUEREM SER ESTUPRADAS ou VIADO BOM É VIADO MORTO!

Acabei de ler uma matéria no site UOL:

“Para espectadores de "Insensato Coração", Cecília sofreu estupro, mas culpam-na pela gravidez.”


Eu não assisto essa novela. Acho-a absolutamente desnecessária em sua sede de retratar a "realidade". Mas algumas coisas precisam ser ditas. Moramos num país machista, com uma visão patriarcal do corpo da mulher. Onde a mulher bebe um pouco mais, o homem vai lá e força o sexo. Beber demais é crime? Isso é estupro, meus queridos! A culpa é da mulher? Será mesmo? Voltemos um pouco no tempo... Meninas e Meninos são criados de maneira bem diferentes no Brasil. Enquanto aos meninos é dado o mundo, às meninas resta apenas a casa. Meninos são estimulados a comer o maior número de meninas possíveis. Meninas, guardem o dom mais precioso que vocês possuem. Meninos quando saem com várias meninas são garanhões, são bem vistos. Meninas quando fazem o mesmo são consideradas vadias e geralmente são expulsas de casa. Algo bem próximo disso, aconteceu nessa mesma novela. Uma garota (filhinha de papai) perdia a virgindade sem o “consentimento” da família. O Pai descobre, bate e xinga a filha e a expulsa de casa. Os espectadores todos ficaram ao lado do pai. Óbvio. Afinal, existe desgraça maior do que ver sua filhinha linda criada com todo o amor e carinho dando o que é dela para um marmanjão qualquer por ai?

Outra cena dessa mesma novela também demonstra o quanto os brasileiros são “evoluídos”. Vejamos. Logo no início da trama, o autor anunciou que pela primeira vez na televisão brasileira uma novela teria seis personagens homossexuais. Ao correr dos capítulos, o autor até tentou fazer uma abordagem séria da temática, mas pressões internas e dos espectadores fizeram-no mudar os rumos da história. Os namorados da novela tiveram que manter uma postura respeitável, não podiam se tocar, nem mesmo dar as mãos, tudo tinha que sugerido, sabe? Meio Ditadura Militar, saca? ♫ Pai, afasta de mim esse cálice, pai ♫ ... Mas os espectadores (vejam só) sacaram e exigiram mudanças. A Família Brasileira não podia ser afrontada por comportamentos permissivos. Sabe o que aconteceu? Os namorados ficaram mais respeitáveis ainda e um outro personagem gay foi morto aos chutes e pontapés por pitboys. A cena por si só chocava pelo realismo. Carinho entre homens não pode, mas bater e matar gays pode? Fiquei pensando, será que é essa a provocação que o autor quer fazer? Mas ao conversar com algumas pessoas sobre a tal morte, o que eu ouvi foi gente dizendo assim: “Bem feito, quem mandou ser gay?”. Pois é... o único personagem gay bem aceitado da novela é um bem afeminado, amigo das mulheres, que fala bem afetado, que anda rebolando e miando. Esse tipo de gay o público aceita. Lógico. É uma caricatura. E caricaturas servem apenas para fazer rir. Bingo! Sacada Genial, não? Dizem que o autor da novela, vai matar os namorados gays no último capítulo da novela como forma de protesto. Ahan, Cláudia senta lá! Mais uma vez o espectador médio dirá: “Bem feito, quem mandou ser gay?”. Como se ser gay fosse uma escolha. Um mero querer ou não querer. Pois é. Não é. Não. Viado bom é viado morto! Essa é a lógica.


Na mesma emissora, só que um pouquinho mais tarde, logo depois da novela, um quadro no programa “Zorra Total” está fazendo um sucesso tremendo. Nele, duas amigas conversam animadamente no vaguão de um trem, se ofendem mutuamente e lá pelas tantas uma delas é encoxada por um homem. Ao relatar o abuso para a “amiga”, a outra lhe diz para aproveitar, já que ela é feia e nenhum homem a quer. Sim. Isso para a emissora é humor. Acreditam? O mesmíssimo humor praticado pelo Rafinha Bastos que em seu show contou a seguinte piada:

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço."

HAHAHAHAHA HIHIHIHI HOHOHOHO NOSSA QUE ENGRAÇADO, NÃO É SENHOR RAFINHA BASTOS?


Antes de criticar, precisamos entender a lógica do negócio. Qual é o público que consome esse tipo de piada? Para qual público o senhor Rafinha Bastos fala? É o mesmo caso do deputado Bolsonaro! Quem o elege pensa como ele! Quem ri da piada do Rafinha ou do mulher encoxada no “Zorra Total” acha realmente que mulher feia que é estuprada tem que agradecer ao criminoso. Isso é hediondo. É absurdo! Todos os sábados a mesmíssima situação se repete no “Zorra”. É lógico que os atores que fazem a cena são bons, são engraçados e tal, mas tal cena é um desserviço às mulheres. Atualmente vivemos tempos sombrios. Sim. Por um lado, evoluímos em muitas questões. Mas por outro, uma onda reacionária toma conta do pensamento dominante do país. É claro que os “donos do poder” não querem perder seu trono. Anos e anos, séculos e séculos de dominação do macho não se perde assim de mão beijada. Lógico. Atualmente é perceptível que o macho está perdido. Não sabe como se comportar, se é sensível, é viado, se é macho demais, é troglodita e não serve também. Afinal, o que querem as mulheres? Essa nem Freud explica. Mas se formos pensar pela lógica dominante dessas novelas, humorísticos e humoristas, as mulheres querem ser estupradas. Sim. Num país onde uma mulher é violentada a cada 12 segundos; onde uma mulher é assassinada a cada duas horas; onde 43% das mulheres sofrem violência doméstica, isso não é nada engraçado.

 

PS: Recomendo que assistam esse vídeo produzido no Equador sobre o machismo e violência contra a mulher. É excelente!

 



Escrito por Mateus Barbassa às 16h17
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Ato Institucional Número Cinco

 

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!

Você tem o direito de ficar calado.

Se você renunciar ao teu direito de ficar calado tudo que você disser poderá ser usado contra você.

Vestiram a carapuça.

 ♫The thrill is gone away

You know you done me wrong baby

And you'll be sorry someday♫

Você só conhece um(a) "amigo(a)" quando a relação acaba.

"O que é a maldade? É impedir alguém de fazer o que ele pode. É impedir que este alguém efetue a sua potência."

Pois é...

"Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, Eles passarão. Eu passarinho!"

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO OBSERVADO!

AI-5 Rindo a toa



Escrito por Mateus Barbassa às 02h28
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