Minha lista de melhores filmes de 2012 não é uma lista dos melhores filmes de 2012. É apenas uma identificação daquilo que mais me tocou cinematograficamente falando. Apenas isso. Nada mais do que isso.

 

“Nuit#1”


 

Respiração tensa. Garganta Seca. Olhos Marejados. Mas, sem derramar nenhuma lágrima. Cabeça em erupção. Pensamentos que passam, eu os aceito e os abandono. Sem desejo. Sem memória. Fazia tanto tempo que um filme não me fazia sentir isso. Não. Não vou aqui falar sobre o quão maravilhoso é o filme. Isso vocês terão que descobrir sozinhos. Numa madrugada chuvosa e solitária em que o silêncio impera. Na cena final do filme, lágrimas caem dos meus olhos. Eu não controlo-as. Elas simplesmente caem. O letreiro aparece. Começa a subir. Uma música maravilhosa começa a tocar. Eu continuo chorando. Pego o meu celular. Digito: "Acabei de ver um phodástico. Estou chorando compulsivamente. Queria q vc estivesse aqui." O letreiro acaba. A música acaba. O silêncio continua. E eu fico ali. Sentado. Esperando sabe lá o quê. O meu gato que estava dormindo na minha cama acorda. Espreguiça. E senta-se ao meu lado. Eu o acaricio. Depois de um longo tempo. Levanto. E escrevo isso. O que virá depois? Não sei. Hum.

 

"PIETÀ"


 

do diretor sul-coreano Kim Ki-duk.
Sanguinolento. Melancólico. Virulento. Poético. Minimalista. Perturbador. Esquizofrênico.
Jo Min-Su, atriz que protagoniza o filme tem um desempenho simplesmente assustador.
O filme é simplesmente genial.
Não há outra palavra que defina-o melhor.

 

"Holy Motors"


 do diretor Leos Carax. O que escrever? Que o filme é sensacional? Que o diretor é phodidaço? Que o ator protagonista tem um desempenho brilhante? Que o filme é uma mistura híbrida e ácida de tantos gêneros, de tantas vidas, de tantas mortes? Poderia escrever tudo isso. Mas prefiro me calar e recomendar o filme veementemente!!!!!!

 

"Drive"


do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos.  Genial. Matemático. Violento. Tenso. É um filme híbrido. Um mix de referências que resultam em algo único e absolutamente brilhante. Estão ali David Lynch, Gaspar Noé, Wong Kar-Wai, Chan-wook Park e Quentin Tarantino. Ryan Gosling prova (mais um vez) porque é o melhor ator de sua geração, seu desempenho é simplesmente brilhante. Assim como o de todo o elenco, direção e equipe técnica.

 

“Shame”


 

Impressionante o que o diretor Steve McQueen nos apresenta. Nada psicologizante, o filme é apresentado por meio de seus personagens, sobretudo por Brandon (vivido com brilhantismo por Michael Fassbender) e sua irmã Sissy (a ótima Carey Mulligan). É cinema carne-viva/latente/sangue/esperma. Esteticamente deslumbrante, com um roteiro simples e engenhoso, embevecido em pequenas elipses e um minimalismo assustador, McQueen consegue provocar/questionar o espectador mergulhando-o num atmosfera sombria, quase um sonho (ou pesadelo) angustiante ... Acompanhamos não um filme, mas a "via-crúcis" do corpo.

 

"Take This Waltz"


 

da diretora Sarah Polley. Filme incrível. De uma sutileza avassaladora. Polley com sua doçura característica concebe um filme dolorosamente real. Sem pressa, nem acelerar os fatos, ela vai construindo personagens palpavéis, de carne e osso. E alma também. Sobretudo alma. O título em português entrega o filme de maneira óbvia ("Entre o amor e a paixão") e de alguma maneira o encalacra. Não é nada disso. Não. Não é um romance água com açúcar. De jeito nenhum. É um filme de dúvidas. De escolhas. De dor. De muita dor. E o que escrever sobre o trabalho de Michelle Wililams? Sem palavras. Pra mim, é a melhor atriz de sua geração. Sua atuação é sempre magistral. Contida. Minimalista. Mas absurdamente consistente. Com ela, não tem cena desperdiçada. Seu rosto emana uma melancolia que enternece. Ela é alma do filme. Ela e Sarah Polley... Ficaria aqui escrevendo durante horas e horas. Um filme tão simples. Uma temática tão batida. Mas que surge aqui tratada com um encantamento e respeito únicos. Eu recomendo fortemente.

 

“Separação”

"A Separação" e as várias histórias que nos habitam. Onde está a verdade? Ou melhor, quem diz a verdade? Qual o preço da honra? Até onde se pode ir para se fazer justiça? A Lei. A lei não pondera. Ou é ou não é. Não existem meios termos. A dúvida. O Castigo. O Julgamento. A Espera.

 

“Habemus Papam”


 

O diretor Nanni Moretti consegue com "Habemus Papam" o improvável. Faz um filme absolutamente (fra) terno de um tema bastante espinhoso, sem no entanto, deixar de tocar naquilo que é o calcanhar de Aquiles não só da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana como também de todas as outras as outras grandes instituições que tentam (tentaram e tentarão) explicar o mundo e principalmente a humanidade: a ausência de significado, o vazio que todos nós estamos metidos até o pescoço ou até a alma (se é que ela existe mesmo?).

 

“Last Night”



um filme adulto sobre o amor e seus desvãos. Não deixa de ser um filme dolorido, mas não força uma barra, nem quer ser mais do que é. E o que ele é? Um filme simples sobre um assunto complexo e bastante clichê do cinema. Mas o olhar feminino da diretora estreante Massy Tadjedin foge de alguns padrões es
tabelecidos. Há um aprofundamento humano bastante interessante na maneira como ela aborda as cenas e as personagens. Aliás, os personagens apresentam uma densidade que assusta e incomoda. Incômoda porque nós somos eles. Há ali uma relação de espelhamento não banalizada, mas incomoda e ao mesmo tempo sutil.

 "Life of Pi"


 

 ( no Brasil, traduzido pessimamente como "As Aventuras de Pi").  Ang Lee faz o improvável acontecer. Consegue num filme comercial apresentar questões aprofundadas e não faz com que os efeitos 3D sejam o foco principal do filme. E vai além, conseguindo dar dignidade ao efeito em 3D de uma maneira, que olha, nem sei dizer... Ang Lee obrigado por me fazer me sentir criança novamente!