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A morte, a chuva e o arco-íris

A morte, a chuva e o arco-íris

Ponto de ônibus. Um menino espera. Uma mulher apressada pergunta se o ônibus que ela iria tomar já passou. O menino responde que não. Ela então balbucia:

- Hoje eu não tenho nenhum ânimo para ir trabalhar. Minha irmã morreu faz 7 dias, num acidente...

A mulher começou a chorar. Seus olhos estavam vermelhos. Vermelhos de tanto chorar. O menino ficou em silêncio. Não tinha como responder nada. Sua voz não saia. Ele queria poder ter amparado aquela mulher com frases reconfortantes que fizessem com que a mulher que estava chorando num ponto de ônibus ficasse bem novamente.

Mas não.

O menino que esperava no ponto de ônibus continuou apenas esperando.

O ônibus dos dois passou. Os dois entraram. O menino sentou perto da mulher. Após um tempo tocou carinhosamente os cabelos da mulher. As pontas de seus dedos tocaram suavemente o cabelo da mulher. Com o carinho do menino, a mulher chorou ainda mais e mais. Aos poucos, ela foi parando de chorar e ao chegar ao destino do garoto, ela já estava sem derramar uma só lágrima. O menino desceu. Até ali nenhuma palavra foi necessária. O menino quis saber o nome da mulher. A mulher disse: Juliana. O menino respondeu: o meu é Mateus. O menino desceu. Naquele dia, o céu também derramou algumas lágrimas. Fazia tanto tempo que o céu não chorava naquela cidade. Mas, naquele dia, o céu chorou também, para alívio de toda uma cidade. Naquele dia, o menino aprendeu que para se ver o arco-íris é preciso chorar.



Escrito por Mateus Barbassa às 01h03
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