Os últimos filmes que vi nos últimos dias...

Os últimos filmes que vi nos últimos dias...

 

Muitos dizem que não, mas eu achei "PARA ROMA, COM AMOR" do Woody Allen e sensacional. Allen faz uma crítica ácida a tudo e todos. Não deixando pedra sobre pedra, o filme é extremamente irônico, engraçado e encharcado de alguma melancolia daquilo que se perdeu, e que nunca poderá ser diferente. As situações e personagens são nonsense e a graça e crítica reside nessa caricaturização dos desejos e pulsões de nossa sociedade. Allen em melhor forma.


Um amigo do facebook disse que eu tinha que ver esse filme de qualquer maneira:  "Die Konsequenz" ("A Consequência) do diretor alemão Wolfgang Petersen. O filme é um retrato dolorido de uma sociedade machista, onde o papel da mulher é se submeter às vontades do homem e ou ser abusada por ele, e os gays são motivos de chacota e tratamento de choque para "mudar" para o lado "correto" da força. O filme é de 1977, e já se passaram 35 anos de sua realização, mas pouco ou quase nada mudou. Só ficamos mais hipócritas e cínicos.


Por acaso descobri o filme "Szelíd teremtés - A Frankenstein-terv" ("FILHO TERNO - O Projeto Frankenstein") do diretor húngaro Kornél Mundruczó e gostei muito. O filme “fala” sobre as ausências. Sobre a falta de. E a necessidade de se inventar algo. Uma atualização contemporânea (e poderosa) do tão famoso mito de Frankenstein. Mas esqueça o livro. É um filme feito de um material bruto e aparentemente inacabado (propositalmente inacabado), mas a sutileza estética embevece tudo numa melancolia e tristeza profunda.

Fazia tempo que queria assistir o filme "A TETA ASSUSTADA", da diretora peruana Claudia Llosa. Adiava sempre. Essa semana eu vi. O filme fala sobre o medo. De ser. De tentar ser. De ousar ser. O quê? Há sempre uma não resposta. Mas, se faz necessário o mergulho. E assim somos apresentados à protagonista do longa. Mergulhamos em sua dor, em seu desamparo. Em seu acalanto dolorido. Magaly Solier vive Fausta (meio Antígona, meio Macabéa) com um minimalismo absurdo. Seu rosto e olhar dizem tudo com muito pouco. Um trabalho assombroso que merece ser visto. Recomendo.