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BALBURDIANDO


Apenas um fluxo de consciência ao som de "Velvet Underground"

Você não vai conseguir me fazer sentir mal. Não. Não vai. Sabe por que baby? Porque eu tenho dentro de mim um sentimento de auto-preservação fodido. Porque toda vez que alguém me fere, me despedaça, me despetala, aparece um banda no meio da  floresta e toca uma música bela pra mim... E ai sabe o que acontece, boy? Sabe? Lógico que não. Você não entende nada sobre isso. Isso é demais para sua cabecinha, não é? Confessa! Sabe o que acontece, menino? (rindo) Eu me levanto. Me levanto. Levanto-me. Ainda mais forte do que antes. Sim. Como um animal. Como um cavalo novo. Como escreveu Clarice. Então não adianta você achar que vou ficar chorando durante muito tempo. Aproveite essa minha encenação de tristeza. Aproveite-a muito bem. Sei que isso faz bem pro seu ego. Para sua baixa auto-estima tão infantil. Para sua carência tão descarada. Que pena! Que pena que você não soube ser amado. Que pena, menino! Agora eu entendo quando você disse sobre a grande merda que fizeram com nossa cabeça. Com a nossa, não. Com a sua. Com sua necessidade ególatra de arrancar o coração dos outros e comê-lo. Nem amar você sabe. Você já se deu conta disso? É triste, cara! Triste, porque é um desperdício. Porque tudo poderia ser mais bonito. Mais colorido. Mais dançante. Vamos dançar? Eu disse. E você como medo de tudo. De ser visto. De ser acariciado. E eu ali pronta pra tudo. Pra me entregar pra você. Pronta. Prontinha. Sem amarras. Sem essa moral toda. E eu te contei tantas coisas. Tantas coisas, menino. Eu me abri contigo como nunca... Mostrei-me frágil, carente, mas eu era eu ali, entende. Eu. Eu. Apenas uma pessoa na frente de outra pessoa. Eu queria tanto ter te beijado. Ter te amado. Mas ai era você quem não estava preparado. E eu estava. Eu tão Marilyn ... com meus problemas amorosos. Com meu poder. Com minha inteligência. Minha sensibilidade latente que grita. Berra. Excita. Com minha carência. Fragilidade. Mas eu fui eu ali. Talvez pela primeira vez eu tenha sido eu. Você consegue entender? Não sei. E também nem me importo muito. Por que no fundo, o problema não é meu. É seu. É mais sobre você. É mais sobre o seu medinho. É mais sobre isso que você tem embaixo das pernas. E que não soube honrar. Não. Não adianta ele ser grande. Ele tem que ser. Entende? Não. Eu não queria apenas uma parte do seu corpo. Bobo. Tolo. Mesquinho. E você tão bobinho pensou que era isso. Tonto. Isso eu tenho com qualquer um. A hora que eu quiser. O que eu queria era algo mais profundo que isso. Sim. O silêncio. A Noite. A Lua. Você. Eu. Mãos. Língua. Saliva. Porra! Era isso que eu queria. E você ... Bem... Você. Vai continuar iludindo as pessoas. Acreditando que elas estão apaixonadas por você. E vai continuar sozinho, boy. Sozinho. Ninguém ama aquilo que não conhece. Sozinho. Sem banda no final. Sem lágrimas pela despedida. Sem dormir chorando com dor de cabeça. Sem acordar com uma vontade imensa, redentora de viver. De amar o sol. De sair pra rua. De ir pra Europa. De ir. De ir pra qualquer lugar onde duas pessoas se amarem não seja tão problemático. Tão ... Tão bobo e vazio. Como você. É uma pena. A banda está chegando. Ai vem eles. Eu ouço. Eles estão chegando. Lágrimas negras, doloridas chovem. Meus olhos chovem. Eu chovo. Eu chuva. Eles chegam. Tocam. Cantam. O semi-sorriso invade meu rosto. Eu então olho para os espectadores. E compartilho minha dor com eles. Eles curtem. As luzes começam a piscar incessantemente. Eu começo a dançar. Primeiramente, devagar. Ao ritmo da música. Depois, aos poucos e bem lentamente, liberto-me da possibilidade do som. Danço a grande música que estava dentro de mim. Selvagem. Redentora. Nua. Arranco minhas roupas. A chuva. Eu. Os espectadores. Todos somos um, agora. Ah, você nunca vai entender isso... ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

 



Escrito por Mateus Barbassa às 15h03
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