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DENTE CANINO ou O Inferno do Mesmo

“Mãe, às vezes eu sinto como se o mundo estivesse vazio, e ninguém mais existisse, a não ser nós, quer dizer você, papai, eu e meus irmãos. Como se a nossa família fosse a única e primeira. Então, o amor e o ódio teriam de nascer entre nós”.


 

Nelson Rodrigues escreveu em 1945 a tragédia em três atos “Álbum de Família”, peça em que personagens atemporais utilizam-se da supressão de qualquer possibilidade de realidade exterior para mostrar o que há de mais abjeto e louco nesse ideal chamado família.

Nelson não poupa nada nem ninguém. Sua metralhadora cheia de mágoas está apontada para todos os lados. De certa forma, o filme "Kynodontas" (“Dente Canino”) do diretor grego Giorgos Lanthimos também tem esse mesmo intuito.

O enredo de "Kynodontas" é extremamente simples e num primeiro momento pode ate soar lírico ou até mesmo parecer com um conto de fadas qualquer. Um aviso: Não se enganem.

O filme conta a história de uma família composta por pai, mãe e três filhos (um homem e duas mulheres) que vive completamente isolada da sociedade. Não sabemos exatamente os motivos. Mas o fato é que excetuando a figura do pai que sai todos os dias para trabalhar, ninguém daquela família parece ter saído daquela casa. Muros Altos e o fato dela ser localizada fora da cidade garantem a privacidade necessária. O filme não perde tempo em explicações. Quando começa, ouvimos um gravador informando as novas palavras do dia. O estranhamento já está presente desde essa primeira cena, pois as palavras proferidas pela voz do gravador possuem um significado totalmente diferente daquele que conhecemos. Os irmãos ouvem atentos numa espécie de pequeno ritual diário. Em seguida, a irmã mais jovem propõe um jogo de resistência; quem consegue ficar mais tempo com o dedo na água quente ganha. Mas o quê? Corte de cena.

Próxima. Uma mulher de olhos vendados é conduzida por um carro dirigido por um homem que ainda não sabemos quem é. Ele é o pai e está levando uma mulher para que seu filho pratique sexo com ela. O filho se exercita. A mulher chega. Eles tiram a roupa. Transam. Tudo mecanicamente. O filme utiliza-se de uma interpretação bastante controversa. Ao mesmo tempo em que é absurdamente naturalista, é também mecanizada, robótica. Tudo parece ser anódino, sem vida, ensaiado. E literalmente é. Aos poucos e sem nenhum didatismo, o filme vai se impondo ao espectador. Sim. Aquele homem (O Pai) trancafiou seus filhos numa casa e não permite que eles saiam dali. O método utilizado por ele é, sobretudo, um terrorismo sutil disfarçado de boa educação. Seus filhos são figuras ingênuas e infantilizadas que acreditam em qualquer bobagem contada pelo pai. A mãe é uma figura omissa, que não tem apresenta nenhuma capacidade de reagir àquilo tudo. E eles vão vivendo assim... Até que pequenas interferências começam a assombrar aquela casa. A mulher trazida pelo pai para transar com o filho introduz alterações circunstanciais ao enredo e o pai terá cada vez mais dificuldades para evitar que seus filhos tenham qualquer contato com o mundo exterior. O enredo basicamente é isso, mas a maneira com que Lanthimos filma aqueles meros corpos é o mais genial aqui. Sua câmera parada (à la Michael Haneke) provoca inquietação e desespero em que assiste. O filme lentamente se transforma num terror contemporâneo que lembra em alguns momentos o filme “A Vila” do diretor M. Night Shyamalan. Estão tanto lá quanto cá; a mentira, a dominação através do terrorismo psicológico, a tentativa de criação de um universo paralelo em que seja possível se esconder do “mal” e a crítica ao protecionismo familiar. O filme “O Enigma de Kaspar Hauser” é outro que guarda semelhanças com "Kynodontas", só que por razões mais sociológicas. Werner Herzog nesse filme de 1974 nos apresenta um personagem criado numa espécie de caverna longe de qualquer contato com a humanidade (excetuando alguém que vem diariamente lhe trazer comida). Um belo dia, esse homem é trazido até a cidade e tem inicio sua saga de conhecimento das coisas fora da caverna.

Falando nisso, o Mito da Caverna de Platão é uma inspiração de todos os filmes citados acima e não poderia ser diferente com "Kynodontas"

“Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

(...) Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?“

"Kynodontas" é exatamente isso. Só que é mostrado de maneira fragmentada e muito mais cruel. Quais são as motivações para o pai fazer o que faz? Por que a mãe é omissa nessa história? As crianças já nasceram naquele lugar? Ou foram trazidas para lá? Teriam elas alguma lembrança do mundo de fora dos muros de casa? São perguntas sem respostas que perturbam ainda mais o espectador. Diante de uma sociedade doente aquele pai teria o direito de enclausurar seus filhos e impossibilitá-los de qualquer conexão com o mundo?

Novamente pergunta sem resposta. Podemos até classificar a situação toda de nefasta, mas a motivação do Pai parece ser bem intencionada. E esse é a provocação do diretor.

Daí que "Kynodontas" apresenta seu melhor desempenho quando questiona o modo como nos organizamos como sociedade atualmente. Sim. Porque cada vez mais famílias optam por morar em condomínios fechados distantes da cidade em busca de tranqüilidade e segurança. Qual o preço dessa opção? Altíssimo, respondo eu.

“A incapacidade de enfrentar a pluralidade de seres humanos e a ambivalência de todas as decisões classificatórias, ao contrário, se autoperpetuam e reforçam: quanto mais eficazes a tendência à homogeneidade e o esforço para eliminar a diferença, tanto mais difícil sentir-se à vontade em presença de estranhos, tanto mais ameaçadora a diferença e tanto mais intensa a ansiedade que ela gera.”

Sim. Esse é o mundo que vivemos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro “Modernidade Líquida” nos defronta com a própria criação e conseqüente resultado desse comportamento, onde qualquer possibilidade de alteridade é riscada sob o jugo de ser extremamente perigosas. Sim. O Pai do filme tenta desesperadamente livrar sua família de um mundo doente, mas acaba engendrado-os num novo mundo ainda mais doentio e nefando. Para aquele Pai (e não só ele) o outro estranho só traz consigo coação, mal estar e sofrimento... Então pra quê continuar vivendo assim? Por que não inventar uma nova habitação possível?

Talvez porque essa nova possibilidade de habitação seja fruto da alienação e da infantilização do outro.

O filme lembra em muitos aspectos o caso da menina Natascha Kampusch que foi seqüestrada aos 10 anos de idade e passou 8 anos sendo submetida a todo tipo de violência física e ou psicológica. Aos 18 anos ela conseguiu fugir, mas nunca conseguiu de fato retomar uma vida “normal”. Vive enclausurada e sozinha e com medo de qualquer contato mais profundo com o outro. Numa entrevista esclarecedora e  corajosa, ela rejeitou o rótulo de monstro que quiseram dar para o seu algoz: “Ninguém é totalmente bom ou mau”.

E quando perguntada sobre os seus sentimentos para com o homem que a seqüestrou, ela disse: “Aproximar-se do sequestrador não é uma doença. Criar um casulo de normalidade no âmbito de um crime não é uma síndrome. É justamente o oposto. É uma estratégia de sobrevivência em uma situação sem saída”.

A Filha Mais Velha do filme numa decisão quase suicida tentará fugir daquele “paraíso” criado pelo pai e conhecer o que o mundo lá fora lhe reserva.

“- Quando um filho está pronto para deixar sua casa...?
- Quando cai seu canino direito, ou, o esquerdo, tanto faz.
- Nesse momento, o corpo está pronto para enfrentar todos os perigos.
- Para deixar a casa a salvo se deve usar o carro.
- Quando se pode aprender a dirigir?
- Quando o Canino direito voltar a crescer, ou, o esquerdo, tanto faz.”

A cena chave de todo o filme é esse diálogo travado entre o Pai e seus filhos, é essa possível “solução” que dará condição psicológica para a Filha Mais Velha tomar a decisão de romper com o cordão umbilical tardio que a liga aquela casa.

O mais impressionante de todo o filme é a maneira lúcida com o que o diretor coloca nossos conceitos mais profundos em xeque e como através disso, fica provado, que somos seres culturais e nosso comportamento nada mais é que uma resposta aos estímulos que recebemos... A atitude do pai embora exacerbada encontra eco no modus vivendi dos atuais proprietários de casas em condomínios fechados onde as únicas coisas que unem os vizinhos são o dinheiro e o medo.

Baudrillard no livro “A Transparência do Mal” escreve que o princípio do Mal não é moral, mas um princípio de complexidade, estranheza, sedução e, sobretudo, um principio vital de desligação.

“Desde o paraíso, ao qual seu acontecimento pôs fim, é o princípio do conhecimento. Já que fomos expulsos por delito do conhecimento, vamos ao menos retirar disso todos os benefícios.”

Sim. Na teoria de Baudrillard, o conhecimento é o Mal e toda a negação da alteridade é um processo autodestruidor. É exatamente o que acontece no filme. Ao negar a possibilidade do conhecimento do “Mal”, o pai acaba criando algo mais monstruoso que o próprio mal em si.

“Já não é o inferno dos outros, é o inferno do Mesmo”.



Categoria: cinema
Escrito por Mateus Barbassa às 15h56
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WEEKEND ou “Isso aqui não é nosso Notting Hill”

“Você é muito garoto, não entende dessas coisas. Deixa a vida te lavrar a cara, antes, então a gente. Bicho, esquisito: eu ia dizer alma, sabia? Quer que eu diga? Tá bom, se você faz tanta questão, posso dizer. Será que ainda consigo, como é que era mesmo? Assim: deixa a vida te lavrar a alma, antes, então a gente conversa. Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha.”



 

O filme “Weekend” do diretor Andrew Haigh poderia muito facilmente ter como prólogo esse texto do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu. Sim. Assim como em “A Dama da Noite”, conto de onde esse trecho foi retirado, o filme narra o encontro fortuito de duas pessoas num bar. No conto de Caio, uma mulher mais velha e um garoto. Em “Weekend”, um homem e um outro homem. Dito assim, parece que a possibilidade de que aja algo de singular entre eles seja difícil, mas não. Aqui, o diretor muito sabiamente não condiciona os personagens homoafetivos em meros arremedos e ou caricaturas que vemos na maioria dos filmes do gênero. Muito pelo contrário. O nome “Weekend” não poderia ser mais apropriado. Traduz perfeitamente a ideia central do roteiro. Russell nos é apresentado como alguém que parece nunca se sentir bem onde está. Seu olhar e seu corpo traduzem uma espécie de tristeza latente. Ele é gay. Mas pouquíssimas pessoas sabem. No começo do filme, ele está numa comemoração numa casa de amigos. Sim. Todos são heteros. Menos ele. Não que aja algum tipo de preconceito contra ele. Não. Isso não acontece. Mas ele é diferente e sabe disso. Seu incomodo ele guarda consigo mesmo. Não divide com ninguém. Ao sair da festinha, ele decide passar numa balada gay e lá se interessa por um carinha. Corte de cena. Dia seguinte. Russel está fazendo café e segura duas xícaras: é a dica que precisávamos para sacar que ele está com o tal carinha. Dito e feito. Sim. Eles transaram. E papo vai, papo vem, o tal carinha pede que Russel grave um depoimento falando de como foi a noite entre eles. O tal carinha é Glen e ele possui pretensões artísticas que só saberemos mais tarde... Russel num primeiro momento sente-se incomodado com o pedido, mas diante da insistência do outro, acaba cedendo. Pouco a pouco, a intimidade entre ambos cresce, eles trocam telefonemas e marcam de se encontrar mais tarde. O que poderia apenas ser uma ficada de fim de semana, ganha contornos outros. Sutilmente o filme mostra o desabrochar do afeto que vai surgindo entre eles e consequentemente a nossa tomada de posição como espectador acontece exatamente nesse ponto.

A primeira parte do filme é propositalmente frívola, como é a maioria dos relacionamentos nascidos de uma mera ficada de fim de semana. No entanto, quando a intimidade entre eles cresce, o filme cresce junto também. E é especialmente prazeroso acompanhar a maneira inteligente e sensível com que o diretor oferece a guinada ao público.

“Weekend” é um filme simples, alicerçado basicamente na força de um bom roteiro e no trabalho sincero dos dois atores protagonistas. Sem arroubos melodramáticos (“Isso aqui não é nosso Notting Hill”), o diretor concebe um filme atualíssimo.

Russel é um homem bastante introvertido, enquanto que Glen é seu oposto, mas por incrível que pareça, quem se abre mais para o outro é Russel. Seu desejo de compartilhar sua vida com alguém é comovente. Glen não curte esses papos. Acho isso tudo bobo e heteronormativo. Glen quer construir uma possibilidade de história nova. Ele quer algo que talvez não exista. Ele é um artista. Ou está tentando ser. Daí que o diálogo entre essas duas pessoas (duas visões de mundo) é tenso e dilacerante. Também nós estamos nesse barco. Eu, você e todos nós. Sim.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman esmiúça como poucos a fragilidade dos laços humanos contemporâneos no livro “Amor Líquido”; estamos numa encruzilhada, numa passagem de um estado para o outro. Bauman explica que passamos do estado sólido para o líquido, e essa mudança altera não só o modo com que nos relacionamos com o outro, como também aspectos políticos, econômicos e sociais. Temos ao mesmo tempo que lidar com nosso desejo de segurança e nossa necessidade de independência e ou liberdade. Russel personifica o primeiro item, já Glen o segundo. Russel está desesperado por um relacionamento, Glen não. Ele quer “curtir”. Fracasso à vista, não? Lógico que sim. Não que Glen não sinta algo por Russel. Não é isso. Ele apenas não quer repetir um padrão que já provou ser fadado ao malogro. Como resolver o impasse? Há uma saída? E acima de tudo, quais são os riscos de escolher entre uma coisa ou outra? O livro de Bauman é todo ele dedicado a “responder” essa questão:

“O que sabemos, o que desejamos saber, o que lutamos para saber, o que devemos tentar saber sobre amor ou rejeição, estar só ou acompanhado e morrer acompanhado ou só - será que tudo isso poderia ser alinhado, ordenado, adequado aos padrões de coerência, coesão e completude estabelecidos para assuntos de menor grandeza? Talvez sim - quer dizer, na infinitude do tempo.”

O certo é que não se pode aprender a amar, nem tampouco se ensinar. O amor nos pega sempre desprevenido. Como no livro “A Fera na Selva” do Henry James. O Amor é a própria personificação da fera na selva.

“A fera estivera de fato à espreita, e , àquela altura, já havia dado o bote... “

Mas não podemos nos esquecer que os tempos são outros. Não podemos nos esquecer que estamos chafurdados até o pescoço numa cultura extremamente capitalista onde tudo parece um imenso fast-food e nada feito para durar mais que alguns instantes de prazer. Está ai o filme “Shame” que não me deixa mentir. Somos todos Brandon. Mas também somos todos Cabíria e em nossas noites procuramos algo ou alguém para amar. Coisas opostas, não? Não. Tudo intrinsecamente tão ligado. Seria isso a tal roda que Caio Fernando Abreu fala no texto “A Dama Noite”? A roda que gira com todo mundo dentro, enquanto esperamos o amor, sentados numa mesa de bar...  Parados e patetas.

“Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar.(...) Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. (...) Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro.”

Sim, Caio. Um dia encontraremos. Sim. E um dia deixaremos que escorra como água por entre os nossos dedos. Sim. E tudo isso porque somos ainda apenas crianças assustadas perante aquilo que nunca entenderemos direito!



Categoria: cinema
Escrito por Mateus Barbassa às 00h31
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