Os Prós e os Contras do II Festival de Teatro de RP

Atendendo solicitação do jornalista Régis Martins (responsável pelo Caderno C do Jornal A Cidade) escrevi um texto sobre os prós e os contras do II Festival de Teatro de Ribeirão Preto:

 

Neste domingo acaba mais um Festival de Teatro de Ribeirão Preto. Pelo segundo ano consecutivo, a cidade pode assistir gratuitamente os trabalhos dos grupos locais. Do ano passado pra cá houve alguns avanços: é perceptível uma melhor organização nos eventos, conseguido com um maior número de funcionários e uma utilização de vários espaços físicos e teatrais na cidade. Pode-se notar também uma variedade de estilos e possibilidades cênicas na seleção deste ano.

Os grupos que possuem um trabalho alternativo vieram com força total e “habitaram” um espaço “novo” em pleno Centro da Cidade. A utilização do Centro Cultural Palace foi um dos grandes achados dessa edição. O público estava ansioso por freqüentar aquele lugar lindo que faz parte da história da nossa cidade. Os espetáculos apresentados ali fugiram do óbvio e surpreenderam a platéia. O processo de seleção dos espetáculos foi bem mais transparente que o do ano passado. Três jurados com visões absolutamente distintas do fazer teatro fizeram emergir boas escolhas. Mas, sobretudo o grande aspecto positivo desta edição foi à escolha de uma Curadoria. Letícia Andrade cumpriu esse papel com êxito, sua presença na cidade e nos espetáculos antes mesmo do processo seletivo trouxe uma confiança maior dos artistas para com o Festival. Sua presença ou a de uma pessoa que cumpra essa mesma função deve ser algo tido como imutável na próxima edição.

Já como pontos negativos destaco, sobretudo a ausência de uma crítica especializada que assista aos espetáculos e publique os textos em jornais ou blogs. Os debates organizados após cada espetáculo ainda não cumprem essa função, pois ficam restritos apenas a classe artística e seria interessante que o público de maneira geral tivesse acesso aos comentários. Como possível sonho para o ano que vem, gostaria de ver um Festival que não fosse baseado apenas como uma vitrine do que é feito de melhor em se tratando de teatro na cidade. E também gostaria de ver um maior interesse da Secretária da Cultura pelo teatro não apenas durante os nove dias do Festival.  Teatro não se faz assim. E muito menos um Festival que queira ser e ter mais do que algumas edições. É necessário investimento humano, crítico e financeiro. Só assim poderemos então começar a falar de teatro produzido pela cidade de Ribeirão Preto. O que vemos ainda são iniciativas pessoais que se juntam durantes alguns dias em nome de algo maior. É preciso que Ribeirão Preto respire arte durante o ano todo e não só durante o Festival. Fica a dica.