Balburdiando


Presente de aniversário

"O que eu queria mesmo era um ombro amigo onde pudesse encostar a cabeça, uma mão passando na minha testa, uma outra mão perdida na minha.
O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse chá de laranjeira e me contasse uma história.
Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele"   (Caio Fernando Abreu)



Escrito por Mateus Barbassa às 03h07
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Ainda em estado de choque, resolvi escrever sobre a polêmica dos alunos que invadiram a Prefeitura da USP aqui em Ribeirão Preto (minha cidade) em protesto contra uma determinação que controla festas e outras atividades no campus.

Eu estou chocado porque numa faculdade alunos preocupados com festas?
Ou estou louco ou alguma coisa está errada?

Mais ou menos 170 universitários participam da manifestação que pede, ainda, a suspensão de uma notificação expedida em setembro devido a uma festa e que pode resultar em punição escolar.

A festinha em questão utilizava trios elétricos e bandas ao vivo.
Ah, muito legal, né?

É gente ou eu sou muito careta ou essa juventude está muito sem rumo.
Fico chocado com o modo que os jovens de hoje direcionam suas vidas, vivem sem sonhos, sem perspectiva, pulando de um barzinho pro outro (hoje as universidades brasileiras deveriam ser patrocinadas por marcas de cervejas, os bares ao redor das escolas e universidades proliferam que nem ratos em esgoto) vivem à espera da próxima balada, na expectativa de beijar o máximo de gente possível, de virar à noite, ouvindo ou bate estaca ou tão propagado sertanejo universitário.

Um misto de asco e piedade toma conta de mim quando os vejo nas portas das “Facu”, nos barzinhos da moda country da Califórnia Brasileira (que de Califórnia mesmo só tem o calor impiedoso) empunhando suas latinhas de cervejas, seus cigarros mentolados ou essa praga chamada Narguilé.

Tão ridículos, tão idiotas e ainda se acham os donos do mundo, não percebem o quão insignificantes são, o quão vazia suas vidinhas são.

Os “caras” com “tattoo” descoladas no braços anabolizados, as meninas com decotes mostrando seus seios siliconados e suas bundas empinadas à espera de um bom cacete que enfim supram seu vazio existencial.

Monte de lixo com pretensão à casa, já escrevia em 1917 Álvaro de Campos no seu “Ultimatum”.

Meu reino não é daqui, vou completar 28 anos essa semana e digo isso sem arrogância nenhuma, não me identifico com a minha geração.

Um povo letárgico, desanimado, desarticulado politica e culturalmente.

Poderia apelar aqui e dizer que a juventude de antigamente era diferente, mas, não sei como era a juventude de antigamente.

Mas como somos seres históricos, podemos dar uma olhadela no passado recente do nosso BRAZYL, A REPÚBLICA DAS BANANAS e constataremos consternados que realmente a juventude de antigamente era mais PRA FRENTEX.

Isso tirando todo e qualquer ranço de “ideologismo” de esquerda barato. (pois depois de Lula, Sarney e Dilma a esquerda está morta, enterrada, sepultada e já até rezaram a missa de sétimo dia)
Esse ano “comemoramos” 45 anos do Golpe Militar e só agora temos em nossas fuças a Juventude que a ditadura queria.

O plano deu certo, atrasado, mas deu, não dizem que vingança é um prato que se come frio????

E os arquivos da Ditadura quando serão abertos?
Um país sem acesso à sua memória é uma país morto.

Faça alguma coisa de útil senhor Lula, ao invés de ficar chorando por causa da Olimpíadas no Rio em 2016.

Num país onde o próprio Presidente é um salafrário de marca maior, o que esperar do seu povo?

Talvez declarações como essa (?):
 
“Tudo o que vai fazer aqui a gente tem que pedir autorização e eles vão decidir o que é importante e a gente acha que essa limitação é muito grande. Como é que as nossas entidades vão conseguir sobreviver sem ter renda ou como a gente vai conseguir viver na faculdade sem se confraternizar?, questiona o estudante Lucas Von Zuben.

Ora senhor Lucas Von Zuben toma vergonha nessa sua cara, rapaz!
Desde quando as festas na USP podem ser chamadas de confraternização?

Uma vez fui convidado para declamar Clarice Lispector numa “festinha” da USP, era da turma de Psicologia, fui todo animado, chegando lá, quase morri de desgosto, um povo bêbado, mal articulado, se drogando, meninos e meninas se pegando, enfim uma Sodoma e Gomorra bíblica.

Eu não sou puritano, muito pelo contrário, mas, creio que tudo que é exacerbado, esconde na realidade um grande vazio existencial.

Vazio esse que os jovens TENTAM aplacar com micaretas, festas, sexo, drogas e Victor e Léo,  César Menotti & Fabiano, João Bosco & Vinicius, Jorge e Mateus e a corja dos sertanejos universitários que de universitário só tem a mediocridade musical.



Escrito por Mateus Barbassa às 03h35
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