Gente, final de semana movimentadíssimo, fim da temporada de “Suspensão” no Teatro Satyros, uma aluna querida que passou na Faculdade de Artes Cênicas, pessoas muito interessantes do teatro que conheci em Sampa, filmes e peças maravilhosas que assisti na Terra da Garoa e esta sim a verdadeira Capital da Cultura (e não esse engodo que inventaram dizendo que Ribeirão Preto era a tal Capital da Cultura, só se for da cana de açúcar, do chope.).
- Bom, pra começar o que dizer da Temporada que fizemos no Teatro Satyros? Só posso dizer que foi a realização de um sonho acalentado há muito tempo, um sonho que exigiu muito suor, muitas brigas, uma expulsão, lágrimas, mas acima de tudo uma união do jeito que só a Trupe sabe ter, uma união louca, torta, errada, mas do nosso jeito, “pós”-trágica-dramática-cômica-mexicana. Somos assim mesmo... e é assim que damos certo. É bonito ver como o pessoal da Praça Roosevelt conseguiu reverter a situação catastrófica pelo qual passaram no final do ano com a historia do assalto e dos tiros no dramaturgo Mário Bortolloto... bom o homem melhorou, encontrei com ele várias vezes pela praça, o público novamente lota as casas de espetáculos , é tudo voltando ao seu normal... eu acho bonita a convivência pacifica entre pessoas de diferentes classes sociais, e é o que acontece na Praça Roosevelt. Fizemos 4 apresentações maravilhosas, um público receptivo, inteligente, no meio disso tudo conseguimos uma matéria na Revista Bravo! (indicando a nossa peça como uma das melhores que estavam em cartaz na cidade), saímos nos site uol terra, rp7, o Ivam Cabral, ator-fundador da Cia Satyros colocou a Trupe Acima do Bem e do Mal em seu blog como “Nossa Aposta em 2010", a Erika Riedel, crítica de teatro, recomendou a peça em seu blog, e o crítico Jefferson Del Rios escreveu uma crítica no Jornal “Estadão” dizendo que “o grupo Acima do Bem e do Mal, de Ribeirão Preto, surpreende com espetáculo original e de clima intenso e que Lucas Arantes e Mateus Barbassa “levam (o espetáculo) a um nível do qual Ribeirão Preto deve orgulhar-se e que, discretamente, se faz notar em São Paulo.”
- Uma aluna e amiga muito querida passou em Primeiro Lugar nas duas faculdades de Artes Cênicas mais concorridas do Brasil: Usp e Unicamp. Em primeiro lugar nas duas, é mole ou quer mais? Seu nome Luiza Romão, fez dois espetáculos comigo na escola em que dou aula, “A Alma Boa de Setsuan” de Bertolt Brecht (onde encarou nada mais nada menos que a Protagonista Chen- Te e seu duplo Chui-Ta) e “ Bonitinha, mas ordinária” de Nelson Rodrigues ( no dificílimo papel de Maria Cecília) e sempre com uma enorme dedicação, empenho e um enorme talento. Vai lá Lú, mostra pra eles tudo que aprendemos juntos aqui na TERRA DO SOL A PINO.
- Conheci Patrícia Aguille, a mulher que é atriz-fetiche do Zé Celso Martinez Corrêa e que está fazendo intercâmbio com o Pai do teatro pós-dramatico Bob Wilson e pude constatar o que já via no palco, que mulher maravilhosa, inteligente, ousada e uma PUTA atriz. Conversamos sobre teatro até o dia amanhecer.... Eu, o Lucas, a Patricia e a Raíssa (outra atriz que era dos Satyros e estava fazendo intercâmbio com o Bob Wilson e que vai montar Juliette de Sade por lá.). Também foi excelente rever os amigos Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vasquez (fundadores do Grupo Satyros). Duas figuras das mais maravilhosas que encontrei nessas andanças pelo teatro.
O Ivam tirou uma foto minha com o Rodolfo.
- Assisti três peças e três filmes em São Paulo:
Os filmes:
“Não, Minha Filha, Você não irá Dançar” do Chistophe Honoré, “Mother, A Busca pela verdade” de Bong Joon-Ho, “Um segredo em família” de Claude Miller
As peças:
In On It - Direção do Enrique Diaz Justine - Grupo Satyros Kastelo - Teatro da Vertigem
* Sobre as peças e os filmes vou fazer um post em separado por esses dias falando um pouquinho sobre cada trabalho e minhas impressões sobre eles.
Em Suspensão, o grupo Acima do Bem e do Mal, de Ribeirão Preto, surpreende com espetáculo original e de clima intenso
JEFFERSON DEL RIOS, Crítica, ESPECIAL PARA O ESTADO
Pode-se chamar Suspensão de um espetáculo estranho, e, em parte, será elogio. A produção do grupo Acima do Bem e do Mal, de Ribeirão Preto, têm clarões, pontos dispersos ou obscuros, mas, quase sempre, um clima intenso. É teatro na vertente existencial, entre Beckett e Sartre, com o ponto de vista de um autor novo, Lucas Arantes. O dramaturgo de 23 anos, também jornalista profissional, teve outros aprendizados, dentre eles a psicanálise que estudou por quatro anos. Ecoar Freud em meio a temas filosóficos e mitológicos é tentador; o difícil é dar-lhes arcabouço e consistência como literatura. Lucas, que também faz poesia e romance (O Outro Estranho) corre seu risco no teatro. Consegue em parte seu objetivo.
Na primeira sequência, a peça reúne um trio (o casal e o avô) que se descobre sozinho no mundo. As cidades, os objetos, comida, combustível e dinheiro estão intactos, mas a humanidade desapareceu. De início, o benefício de serem donos de tudo preenche suas vidas. O que se segue, porém, é o tédio perplexo e, em seu prolongamento, os choques de interesses. Colapso familiar quando se revelam carências, sonhos e medo.
No segundo movimento, surge, assim, do nada, uma dupla estranha, improvável, mas não impossível, de sobreviventes ou fruto do delírio coletivo. Todo conflito gira em torno deste beco sem saída. O autor faz seu contraponto a Entre Quatro Paredes. Se na obra de Sartre "o inferno são os outros", Lucas, ao contrário, proclama a importância do outro na nossa existência. Esclarece, porém, que quando se refere ao "outro" não pensa somente em outra pessoa, mas nos mecanismos simbólicos construídos pela sociedade como jornais, religiões, ambiente de trabalho, enfim, todos os rituais diários. Durante a ação, essas figuras, embora habitando um espaço real (são mencionadas algumas cidades), vivem no território mental das obsessões. A tensão maior surge com a fantasia da mulher em repovoar a Terra com o marido. De quebra, o que fazer do velho? Até aqui vai a linha mestra da história.
A seguir se dispersa em acréscimos próximos à ficção científica (referências aos mecanismos da reprodução humana, por exemplo). Foi esquecido que Kafka e Beckett criaram situações basicamente esquemáticas. A transcendência delas está na linguagem de múltiplos subentendidos; ou no silêncio. A outra parte, visual, a que se assiste, é acréscimo da encenação sobre estes ambientes (Orson Welles recriou O Processo. É cinema de Welles e puro Kafka).
O diretor Mateus Barbassa domina o espaço, efeitos de luz e som e, sobretudo, o muito bom rendimento do elenco. Todo o projeto é marcado pela vontade de realizar um "teatro pós-dramático" do ensaísta alemão Hans-Thies Lehmann.
O termo, já meio tedioso pela saturação de tantos "pós", refere-se, entre outras premissas, à fragmentação da linguagem, ao fim da linearidade psicológica e a inclusão de recursos audiovisuais à narrativa. Não será mal, contudo, se autor e grupo atentarem para a ansiedade da influência que revelam com tantas citações postas em cena. O nome da companhia é engenhoso, mas este "acima do bem e do mal", ironia à parte, pode levar a uma autossuficiência hermética, hostil ao espectador. É comum se dizer que o artista tem a obrigação de se reinventar a cada dia. Só que a pressa em ser "pós-alguma coisa" pode dispersar energias. O ideal é que o nome Acima do Bem e do Mal seja uma brincadeira, não uma certeza fechada em si mesma.
Quando não estão tão preocupados com Lehman, o diretor e companheiros apresentam um teatro vital. Por outras palavras, enquanto o talento de Lucas Arantes e Barbassa correm mais esquecido de ser contramão, os bons intérpretes Fernanda Lins, Maria Angélica Braga, Ademir Esteves, Davi Tostes, Lucas Chaves levam a montagem a um nível do qual Ribeirão Preto deve orgulhar-se e que, discretamente, se faz notar em São Paulo.
Que coisa lamentável aconteceu em Fernandópolis, um estudante do curso de veterinária foi mais uma vítima dos trotes violentos. O ano letivo esta começando por esses dias e então essa prática nefasta ganha contornos mais agressivos e tristes. Bom, eu acho TROTE uma coisa horrível, seja ela qual for, e não me venha os “bonzinhos” falarem de TROTE SOLIDÁRIO, acho horrível da mesma forma. TROTE me lembra uma sociedade patriarcal de uma Brasil Colônia Pós-Moderno, essas faculdades (e as públicas são as piores, pois possuem em sua grande maioria alunos-filhinhos-de-papai, herdeiros de um legado escravagista abominável) estão se tornando verdadeiros Clãs e os Alunos Veteranos representam a temida e venerada figura do PATRIARCA. E o pior é que os professores e reitores veem e não fazem nada. Quantos alunos mais morrerão para que alguma medida seja efetivamente tomada? O jovem que citei no começo do texto faz veterinária na Unicastelo, foi obrigado a beber álcool combustível. As agressões começaram dentro da faculdade. “Rasgaram a minha calça e deram uns três, quatro tapas na minha cara”, afirmou. O trote violento ocorreu em uma avenida movimentada da cidade. Durante oito horas, o estudante sofreu agressões físicas e psicológicas. Chegou a ser obrigado a beber álcool usado como combustível. ”Segundo eles, eu fui rebelde. Se você se comportar bem, se fizer o que eles querem, você se dá bem”, disse o estudante. Avisada do trote por uma amiga do estudante, que viu as agressões, a família do menino foi buscá-lo. “Eu recebi um telefonema. A menina dizendo para ir buscar meu filho, porque ele estava mal, os meninos estavam judiando dele. Ele falou comigo, mas achei que fosse uma brincadeira, que ele estivesse chorando”, conta a mãe do estudante. O engraçado dessa história é o termo que a mãe usa pra definir o que aconteceu: “judiando”. Perfeita definição para esses TROTES,”tratar como antigamente se tratavam os judeus, maltratar, atormentar”. A Faculdade que deveria ser um lugar onde o aluno (aquele que ainda não tem luz) seria capacitado para a vida e o mercado de trabalho se transforma então numa execrável Auschwitz. Mas penso cá com meus botões inexistentes que a culpa não é somente dos jovens que praticam o TROTE, mas sim de toda uma herança hierárquica violenta. É a pior delas atende pelo nome de VESTIBULAR. Eu até hoje nunca fiz uma faculdade, pois abomino os métodos de avaliação de aprendizado, esses vestibulares são absolutamente idiotas, massacram os jovens com uma decoreba pra boi manso dormir e todos fingem, o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende. É esse o legado: FINGIMENTO! Pronto, é essa a verdade dura, nua e crua. Convivo com adolescentes nas aulas de teatro que dou e sei o quão mal faz esse VESTIBULAR que ensina o aluno a copiar e não a pensar por si mesmo. E falo aqui dessa MÁFIA chamada CURSINHOS PRÉ-VESTIBULARES que cobram quantias fabulosas para ensinar o que era obrigação da escola. É o fim, meu caros, o apocalipse... E ninguém faz nada, sabe por que meus amiguinhos? Porque é interessante para os governantes desse país que a maioria do povo não pense, por isso, só por isso, entenderam? Bom, o que pensar de um país onde o próprio Presidente é um semi-analfabeto que nunca leu um livro na vida, nem nunca frequentou uma sala de espetáculo (não estou dizendo aqui que isso o faria melhor ou pior). E enquanto isso os jogadores de futebol seguem ganhando milhões sem nunca aprenderem a dar um entrevista sem tantos erros de concordância, os artistas seguem arrastando uma legião de fãs dizendo bobagens cada vez mais homéricas e assim o mundo vai seguindo seu curso natural.
Ah! Hoje tem paredão no Big Brother, quem sai Alex, Anamara ou Tessália? Votem no www.globo.com/bbb
Não sei por que me recordei de uma música, lema do Brasil da DITADURA:
“Este é um país que vai pra frente… Uô Uô Uô Uô Uô… De uma gente amiga e tão contente… Uô Uô Uô Uô Uô…
Este é um país que vai pra frente…De um povo unido, de grande valor… É um país que canta, trabalha e se agiganta…
Eu estava perto da cena, inerte, paralisada. Era tão desumano o que via, que meus músculos, meu corpo, minha alma estagnaram-se. Queria ter reagido, falado alguma coisa, mas palavras me faltaram, justo eu, que sempre fui tagarela, sempre fui acusada de falar pelos cotovelos, agora, estava ali, muda e parada. Havia acabado de sair de um espetáculo de dança, e estava ainda em estado de graça, absorta, perdida em devaneios fictícios. Mas a realidade cruel a alguns metros do teatro fez-me ver que a vida não imita a arte, não nesse caso, especificamente nesse caso. Fui sozinha ao teatro, lá encontrei alguns amigos, na verdade, colegas de emprego e faculdade, pessoas medíocres e vis, que freqüentam salas de espetáculos só para terem assuntos menos frívolos no salão de cabeleireiro. O dia tinha sido estafante, dormi tarde, acordei cedo (o que odeio), não comi direito, e para completar estava há dois dias com diarréia, e por isso sai mais cedo do trabalho e fui á um posto de saúde, lá mal me examinaram e já foram receitando soro, fui para casa, esquentei a água e fiz o tal o tal soro, argh, que coisa horrível, gosto nem doce, nem amargo, detesto ter que tomar soro, mas até que me fez bem, passei a tarde toda sem sentir nada, ouvi um pouco de musica e no finalzinho da tarde decidi que iria assistir ao espetáculo de dança francês que todo o mundo estava comentando. Fazia frio, misteriosamente na minha cidade fazia frio... Chegando lá, como já disse encontrei algumas pessoas, conversei amenidades e sentei-me na poltrona B-14, ao meu lado esquerdo estava sentado um senhor que usava um terno bem antigo e fedendo a mofo, ao meu lado direito, uma mulher alta e esguia fingia ler o programa entregue na entrada do teatro. Soou o 1º sinal, o 2º e finalmente o 3º sinal, já não agüentava mais ficar ali entre o fedor e o fingimento. O espetáculo era maravilhoso, onírico, sentia-me transportada para um conto de fadas adulto. Fim do espetáculo. Levantei-me calmamente da poltrona B-14 e comecei a sair, novamente encontro as mesmas pessoas de sempre, com os mesmo papos chatos de sempre e nessas situações sinto-me entediada e ao mesmo tempo enlouquecida, quanta pretensão, quanta mediocridade, mas... o espetáculo tinha sido bom e isso me deixou bem-humorada. Sai do teatro, passei pela praça, ainda pensando no que tinha acabado de ver, quando de repente vi. Vi um carro estacionado na esquina com o capô aberto, fiquei receosa de prosseguir, mas caminhei mais um pouco e então avistei três pessoas cercando uma outra, que estava ao chão, proferindo frases e súplicas incessantemente. Ao lado, uma bicicleta e mais a frente um senhor de cabelos grisalhos que olhava tudo displicentemente. Forcei um pouco a vista e só assim vi que o carro era uma viatura e os três homens policiais. Olhava, olhava e tentava entender o que ali se passava, ouvia frases entrecortadas pelo barulho do trafego da rua: “Eu não fiz nada”, “Cala a boca”, “Para de falar filho da puta”, “Eu sou trabalhador”, “Fala logo que a gente tem mais o que fazer”, “Eu não sei o que vocês querem que eu fale”, “Sem-vergonha”, “Vamos levar ele pra aquele lugar que lá ele confessa” “Hahahahahahaha, lá todos confessam”, “É um milagre”, “Eu não roubei”, “Ai cara acho melhor você falar, senão o negócio fica feio pro teu lado”, “Eu não sei do que vocês estão falando, eu não...” Nissso um dos policiais desferiu um soco na cara do individuo que estava ao chão, e eu me assustei com tamanha truculência, “era essa a tal policia que defendia o povo?” eu pensava. Mas quem teria a razão naquele incidente? Os policiais? O velho grisalho? O homem acusado? Não sei... O que sei e sei porque vi, é que a violência contra o tal homem acusado era torpe, desumana e que o que se sucedeu foi ainda pior. Depois de algum tempo de discussão, chutes e pontapés, os policiais estavam exausto e essa exaustão aumentava a raiva e a raiva aumentava a violência e a violência me amedrontava. Eu sentia uma vontade imensa de ir até lá e dizer para aqueles policiais que aquilo estava errado, que violência gera mais violência e blá blá blá, mas não fiz nada... ao contrario até, fui conivente. Aquela sensação de impotência frente a barbárie que presenciava me fazia pensar em coisas difusas, esquisitas. Já não conseguia mais distinguir o que via do que fantasiava. Gritos, palavrões e os barulhos dos carros se misturavam numa harmonia dissonante. O tom de voz dos policiais era austero, histérico e os gestos duros, feios. E nada do tal homem confessar. Num súbito, os policiais ordenaram: “Levante-se!” “Levanta agora”. E o homem não levantava. ‘Levanta porra!”. E nada. “Levanta!” Nada. “Vamos matar esse infeliz logo vai e terminar com isso”. Nada.
Por fim, dois policiais tentaram levantá-lo e o homem se debatia, berrava e gemia de dor, quando conseguiram imobilizá-lo, o terceiro policial tirou algo do bolso e aplicou no sujeito, eu não consegui ver o que era, mas deduzi que fosse algum tranqüilizante, o famoso sossega leão e realmente o remedinho fez efeito; o homem já não mais se debatia, nem berrava, muito menos gemia. Agora seu corpo estava mole, parecia morto e os policiais o puseram na viatura, devolveram a bicicleta ao senhor, entraram no carro e partiram. E eu fiquei ali, parada, inerte, chocada. Não sei quanto tempo fiquei, mas sei... O que sei? Não sei de nada. Nunca soube. E também não sei por que escrevi isso aqui. Consciência pesada? A única coisa que realmente sei é que só sou completamente feliz quando vejo filmes, peças de teatro, ouço musica e danço um pouco. Queria dançar agora, mas não posso, é tarde, tarde demais para dançar, para ser feliz. Vou dançar sim... dançarei uma dança silenciosa, dançarei um dança em que não sairei do lugar. Aonde?
Hoje acordei meu nostálgico, não sei se é esse tempo chuvoso, ou se é um estado de espirito mesmo. Fui dormir hoje relembrando junto com minha irmã os programas infantis que assistíamos quando éramos crianças. Um misto de sentimentos invadiu-me, fiquei pensando em como tudo era tão lindo e puro, tudo tão perfeito e limpinho. Novamente vão me acusar de ser clichê, mas é assim que eu sinto, oras, DÃO LICENÇA? Vou passar com meu bloco da solidão, sorrindo, mas trazendo lágrimas no olhar. É incrível como tudo o que se passa no campo da memória é sempre mais bonito, mais perfeito que a realidade. Somos seres platônicos, somos seres Proustianos, Boy! Vivemos numa busca eterna pelo tempo perdido. É isso que faz de nós humanos, a capacidade de viver, re-viver, vivenciar ? Resposta: Não sei. Mas essa capacidade da lembrança é algo mágico, no momento em que vivemos as coisas, acredito eu, que não temos a capacidade de sentir plena e profundamente uma experiência... ir vivendo, é assim que propõe Clarice Lispector. Ao acordar hoje, fui ver no Youtube os vídeos dos programas que relembrei de madrugada e a emoção era exatamente a mesma de outrora. Talvez até mais forte, porque estava isenta de realidade, deslocada do tempo e espaço e encharcada de melancolia.
"Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro, E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ... Meu coração tribunal, meu coração mercado, Meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco, Meu coração rendez-vous de toda a humanidade, Meu coração banco de jardim público, hospedaria, Estalagem, calabouço número qualquer cousa (Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patíbulo) Meu coração clube, sala, platéia, capacho, guichet, portaló, Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial, Meu coração postigo, Meu coração encomenda, Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega, Meu coração a margem, o lirrite, a súmula, o índice, Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração. "
O adolescente de 15 anos que foi baleado em uma casa noturna de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) na madrugada de sábado (23) morreu na noite de ontem. Essa notícia foi divulgada em todos os sites, em praticamente todos os programas de tv, no entanto o que ninguém diz é que naquele local que era realizado a festa era uma BALBÚRDIA TOTAL. Eu passava sempre por ali (local da “festa”), na madrugada, quando vinha embora pra casa e o que via era um imenso prostíbulo a céu aberto, onde adolescentes e muitas vezes crianças ficavam se esfregando um no outro (já cheguei a ver “namorados” fazendo sexo oral ali ao ar livre) e além disso o uso de drogas pelos adolescentes era indiscriminado. Já disse que não sou moralista, mas passar por aquela avenida e ver o que via ali, me deixava com um triste nó na garganta. Um pobre retrato de uma juventude sem nenhuma perspectiva, são niilistas sem nem ao mesmo terem lido Dostoiévski ou Nietzsche. Deus já não existe há muito tempo na terra do sol a pino e esses adolescentes parecem ter essa triste constatação tatuada na pele: "Se Deus está morto, então tudo é permitido". É bem por ai, some-se a isso, família em plena desagregação, educação em “bancarrota”, arte e artistas totalmente seduzidos pela ideia de uma fama que faria corar Andy Warhol ("um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama"). Triste fim de uma humanidade! E quem paga o pato são justamente as crianças e os adolescentes que crescem num mundo cada vez mais desalmado em relação ao outro, cada vez mais despovoado de qualquer tipo de relação real. Essas crianças e adolescentes são Pós-Geração Coca-Cola. Desde pequenos comem lixo Comercial e industrial, mas ao invés de cuspir o lixo de volta na cara de quem os “criou” continuam eternamente a comer esse lixo comercial-industrial-químico-etílico-metalizado (“Tá, tá, tá Tá arrastando toda a massa Tá, tá, tá Tá balançando o chão da praça”) e assim seguem a vida, sem nunca tornarem-se grandes como queria Ricardo Reis, o heterônimo de Fernando, que escreveu “ Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.” Não são grandes nem pequenos, são baixos, habitantes de uma cidade baixa, são ratos de esgoto que só pensam em sacolejar o corpo ao som de um bate-estaca famigerado ( tutz, tutz, tutz) com um copo de bebida ice na mão, a Cannabis na carteira, o pacotinho ou a cápsula de Cocaína no bolso, a camisinha esquecida no quarto e assim a vida vai passando, passando, passando... e nossos governantes riem em seus palacetes despersonalizados de qualquer ética e os pais continuaram a acreditar que seus filhos são “bonzinhos” (assim dá menos trabalho, né?) e Lula continuará eternamente levando sua caixinha de isopor com cerveja pra praia e amanhã faz 2 anos que o jovem Rodrigo Bonilha foi covardemente assassinado na província de Ribeirão Preto ... mas não se assustem não, caros amigos, logo logo chega o Carnaval.
Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô Atravessamos o deserto do Saara O sol estava quente Queimou a nossa cara
Viemos do Egito E muitas vezes Nós tivemos que rezar Allah! allah! allah, meu bom allah! Mande água pra ioiô Mande água pra iaiá Allah! meu bom allah
Finalmente assisti o filme “Abraços Partidos” do diretor espanhol Pedro Almodóvar e sai “assim assim” do cinema. Não é um grande filme, nem um péssimo... é um filme morno. Desde “Volver” que Almodóvar vem ficando cada vez mais morno, pra não dizer chato. Meu filme predileto do diretor é “Má Educação”, considerado por muitos o momento de ruptura do diretor com o seu passado de plumas e paetês. Eu discordo, acho que “Má Educação” é ponto alto da cinematografia de um diretor ousado, popular e contemporâneo, além de contar com a atuação nota 1000 de Gael Garcia Bernal. Mas... voltando a “Abraços Partidos” é um filme extremamente melodramático, cheios de idas e vindas, reviravoltas que fariam corar Janete Clair, personagens desnecessário ao desenrolar do filme e situações inverossímeis. Parece que Almodóvar perdeu a mão, sei lá e decidiu seguir a risca algumas boas sacadas de seus filmes anteriores, tais como a metalinguagem (usando histórias ficcionais dentro da ficção para emitir comentários ou como trampolim para efeitos dramatúrgicos) e também o uso de flash-back que expliquem o que o enredo não deu conta de explicar. Efeitos que em filmes anteriores tinham sido muito bem realizados e explorados em “Abraços Partidos” aparecem anódinos e sem o vigor de outrora. Ponto do alto do filme é a interpretação das atrizes Lola Dueñas que faz uma mulher que faz leitura labial do que acontece no set de gravação para o marido ciumento da protagonista e Blanca Portillo que, graças a sua interpretação, transforma a personagem Judite na mais interessante de todo o enredo, a cena em que ela faz revelações aos demais personagem num bar é simplesmente perfeita. Não consegui ver nada de extraordinário no trabalho de Penélope Cruz, achei muito barulho por nada (se querem ver um bom trabalho dela assistam “Vicky Cristina Barcelona” do Woody Allen) e idem pra seu companheiro de cena Lluís Homar, apenas correto nas interpretação do cineasta cego. Enfim, um filme nem frio, nem quente, morno, apenas morno e em se tratando de quem assina o roteiro e a direção é no mínimo frustrante
Hoje eu vou escrever sobre um assunto que pelo qual serei execrado pela rodinha CULT.
Bom, não tenho medo disso acontecer, apenas acho engraçado, mas chega de mais delongas e vamos ao assunto.
Ei-lo:
EU GOSTO DE ASSISTIR AO PROGRAMA BIG BROTHER BRASIL!!!
Pronto, decretado o fim de Mateus Barbassa.
No Brasil, entre a roda de intelectuais não há pecado maior do que confessar que é fã do tal programa, o sujeito pode confessar que roubou, que matou 10 pessoas estranguladas, que é pedófilo, nada disso assustará tanto o povo cult quanto dizer que assiste o BBB.
Em segredo todo mundo assiste ou já assistiu alguma vez na vida, mas...
O famoso “Não vi e não gostei” é a palavra de ordem da maioria dos que se dizem “pensadores” ou “não alienados”. Eu assisto o Big Brother Brasil sim e daí? O grande problema não é assistir o Big Brother Brasil, o problema é só assistir esse tipo de programa. Tudo depende da maneira como você o encara.. Certos tipos de comportamentos que freqüentemente ocorrem nesse tipo de "reality" me interessam e muito, pois de lá podemos extrair lições de Psicologia Social, tais como: A dificuldade da convivência em conjunto, a dificuldade de comunicação entre os seres humanos, o estresse do convívio diário não muito diferente do nosso convívio familiar ou entre colegas de trabalho, os códigos inventados para preservação de uma ínfima privacidade entre os membros, a formação das “panelinhas” ou sub-grupos, a dificuldade de se conduzir sendo líder da semana. Apesar disso tudo poder ser combinado ou previamente ensaiado como numa peça de teatro trash, sua visão sobre o programa “Grande Irmão” vai depender de sua, digamos assim, “Bagagem Cultural”, Penso cá com meus botões que ao assistir o “Big Brother” posso ter um olhar treinado para discernir, interpretar, deduzir, identificar estas com outras mais reais. Às vezes o que pra nós soa como sem sentido ou banal, é assim visto por alguém não treinado ou com má vontade de elaborar uma interpretação pertinente. Outro fator interessantíssimo nesse tipo de programa é como os brasileiros são povos diferentes dos outros, enquanto que nos paises tidos como de primeiro mundo, os vencedores são em sua grande maioria, estrategistas, os brasileiros preferem premiar os mais “humildes” numa transferência de desejos que só o tal de Freud explicaria. Nesse tipo de programa, vemos o quanto essas Igrejas Cristãs controlam seus rebanhos, visto que ate hoje só ganharam os programas aqueles participantes que conseguiram manter uma certa “moral de Kant” lá dentro.
Já os participantes que mantiveram uma postura mais “permissiva” foram excomungados pelo publico numa quase “Santa Inquisição” televisionada. O “Big Brother Brasil” e todos os outros “shows de realidade” usam e abusam de nossos instintos mais primitivos.
Será que foi a toa que a logomarca de Casa dos Artistas é um buraco de fechadura e do Big Brother, da Globo, é uma lente que esconde um olho????
Tenho pra mim que não, talvez uma mensagem subliminar onde fique claro que ali é possível, trancarmos nossa moral e soltarmos nossa perversão, sem limites e que nada vai nos acontecer de punição.
Esse Big Brother em especial, o de número 10 tem mostrado algumas comportamentos bastante peculiares:
1° de todos - O Fato dos participantes gays masculinos serem tão esteriótipados que estão parecendo personagens de desenho animados ou saídos de algum filme piorado do Almódovar.
2° - Os participantes gays entraram com um discurso fajuto de preconceito na esperança vã de assim ganharem o programa.
3° - Acho essa onda politicamente correto um saco, um erro, as pessoas agora são praticamente obrigadas a gostarem de homossexuais afetados senão correm o risco de levarem o fardo de HOMOFÓBICOS. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, as pessoas são o que são e cada um deve ser respeitado na escolha de sua conduta. Respeito é a palavra, não obrigação, isso me parece hipocrisia. Um mal sem caminho de volta.
4° -Num programa onde praticamente 90 por cento dos participantes são musculosos e sarados, o verdadeiro preconceito recaí sobre aquilo que a sociedade mais quer mascarar, a não aceitação de pessoas fora dos padrões estéticos estabelecidos. Uma das participantes dessa nova safra do bbb chamada Elenita está fora desses padrões, é gordinha e não dá a mínima atenção para suas estrias e celulites. Ela aceita seu corpo numa boa, no entanto, nas comunidades relacionadas ao programa, ela é xingada de tudo quanto é nome pelo povo. Triste ironia, num país onde ou as pessoas passam fome ou comem muito mal, num país onde a porcentagem de obesos é altíssima ver um participante ser aviltada por estar fora do peso chega a ser cômico, para não dizer trágico.
5° - Nesse BBB 10 a mesma participante Elenita tem trazido um pouco de luz ao programa, ela é Doutora em Linguística e adora a escritora Clarice Lispector. Além de gorda, inteligente, ela é da balbúdia também, sem papas na lingua, Elenita traz no olhar algo Macabiriano (mistura de Macabéa com Cabíria), daquele tipo de gente que já se joga do alto do trapézio de circo sem olhar pra baixo para ver se tem rede ou não. Por isso tudo foi indicada logo de cara pro paredão e num discurso muito bonito do apresentador Pedro Bial (que mesclou frases da própria Doutora com trechos de Clarice Lispector e Martha Medeiros) ficou no programa.
"Queria não me sentir tão responsável pelo que acontece ao meu redor." ela anotou no livro e Bial leu no programa. Secretamente, baixinho (para ninguém da roda cult me ouvir e me criticar) em minha casa eu disse "tambem eu queria, também eu..."
Enfim a Trupe Acima do Bem e do Mal estreiou em Sampa ontem no Satyros Um.
Muita balbúrdia (como convém à tudo que se relaciona a Trupe), infelizmente essa tragédia que aconteceu no Haiti nos deixou muito comovidos.
Era possível sentir no ar um clima de não entender o que ocorreu e o quão frágil o ser humano é perante a Natureza.
Foi o Ademir Esteves quem nos trouxe a notícia, estávamos todos tomando café da manhã quando o Dê contou o que tinha acontecido no Haiti.
Chegamos em Sampa na quarta à tarde e fomos direto pro teatro, descarregamos o cenário, ensaiamos um pouco e fomos pro Hotel e lá conhecemos o gerente, Seu Sebastião, que era uma graça, ele era extremamente apaixonado por teatro, disse que não perdia um espetáculo e que quando entra num teatro ele chega a ficar sem ar, neste momento os olhos do homem marejaram e eu e a Fernanda Lins ficamos super comovidos com tamanha amor ao teatro. Muitaz vezes você não vê esse amor nem pelos artistas que habitam o palco.
Tomamos banho e fomos comer no Restaurante Planeta's, que tem um histórico de servir muito bem os artistas de teatro e realmente comprovamos que o tratamento dos garçons e do gerente é diferenciado quanto aos atores, comida excelente e atendimento VIP.
Ai passamos no "Espaço Parlapatões" e por lá o clima não estava muito bom não, recentemente o Espaço foi alvo dos bandidos e o dramaturgo Mario Bortolotto foi alvejado por um dos assaltante (falando em Bortolotto, ele estava lá no Planeta's e aparentava estar bem melhor).
Dormimos, acordamos no dia seguinte com a missão de fazermos um excelente espetáculo, comemos num lugar próximos ao teatro e fomos pro Satyros.
Lá estavam os dois técnicos que nos ajudariam na luz e no som, Fábio e Carol, excelentes profissionais e acima de tudo pessoas interessadas em ajudar os artistas que lá se apresentam.
Luz pronta, fizemos um ensaio técnico e fomos pro camarim colocar figurino e fazer a maquiagem.
Nove horas da noite todos já em cena, vestidos, maquiados.
Nove e quinze a peça começa.... Ufa! pensei lá em cima enquanto fazia a técnica.
Missão dada é missão cumprida.
A primeira das quatro apresentações que a Trupe fará em Sampa já foi....
Hoje o Lucas Arantes me ligou de Sampa dizendo que a Jornalista e Critica Teatral (A.P.C.A) Erika Riedel escreveu sobre a peça:
"Nem terremoto, nem tsunami. Não foi enchente, nem foi peste. Não houve destruição, nem incêndio. Na verdade, ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas o fato é que a existência humana parece ter chegado ao fim, ou bem perto dele. Únicos sobreviventes, Ele, Ela e o Avô são obrigados a conviver com a tragédia antes mesmo de se darem conta da sua proporção. Para descobrir o destino reservado às personagens ou para ficar sabendo se a vida continua ou este é mesmo o fim dos tempos você deve assistir Suspensão, texto de Lucas Arantes, que está em cartaz no Satyros Um, encenado pela Trupe Acima do Bem e do Mal. Eu fui ontem conferir e gostei do desempenho da galera. A temporada segue até 4/2, sempre às quintas, às 21h."
OS MELHORES ESPETÁCULOS NA SELEÇÃO DA REVISTA BRAVO!
Eis aqui o scanner da matéria que saiu na Revista Bravo! do Mês de janeiro de 2010!!!!
Suspensão
De Lucas Arantes. Direção Mateus Barbassa. Com Ademir Esteve, Davi Tostes, Fernanda Lins, entre outros. Realização Trupe Acima do Bem e do Mal
O Espetáculo:
Num tempo em que as pessoas deixam de existir, restam apenas os personagens Ele, Ela e o Avô. O Trio passa meses procurando vida pela Brasil, mas não encontram ninguém por onde passam e a busca deixa de fazer sentido.
Por que ir: A peça de perfil investigativo condensa sensações, delírios e sonhos numa trama insólita. É a estreia paulistana da Trupe Acima do Bem e do Mal.
Preste atenção: A peça se inspira em “Entre Quatro Paredes”, de Jean- Paul Sartre, mas em vez de retratar personagens que são obrigados a conviver, cria uma situação na qual ele escolhem permanecer unidos.
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt), 214, Centro, São Paulo, tel 0++/11/3258-6345) Quando: 5° feiras às 21h. De 14/01 a 04/02 R$20.
Veja também: Play. Dramaturgia de Rodrigo Nogueira. Direção de Ivan Sugahara. Com Sergio Marone e outros. A peça inspirada no filme “Sexo, Mentiras e Videotape”, de Steven Sodebergh, também busca inovação na linguagem. No Teatro Nair Bello em SP (tel. 0++/11/3472-2414).
Nessa mesma seleção da Revista Bravo! tem 6 peças além da nossa:
In On It de Daniel Macvor. Direção de Enrique Diaz. Com Fernando Eiras e Emílio de Mello.
Coronado de Dennis Lehane. Direção de David Rock. Com Núcleo Experimental do Teatro Augusta.
Na Solidão dos Campos de Algodão de Bernard Marie-Koltès. Direção de Caco Ciocler.
Estranho Casal de Neil Simon. Direção de Celson Nunes. Com Carmo Dalla Vechia.
Aqueles Dois de Caio Fernando Abreu. Concepção e interpretação de Cia. Luna Lunera.
Macbeth de William Shakespeare. Direção de Aderbal Freire-Filho. Com Renata Sorrah, Daniel Dantas e outros.