Balburdiando


Minha tradução em forma de música

Senhas

Adriana Calcanhotto

Composição: Adriana Calcanhoto

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto (2x)

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem (2x)

Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem (5x)



Escrito por Mateus Barbassa às 14h11
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Para o mundo que eu quero descer...

Eu confesso que não sei o que anda acontecendo com as pessoas de uns tempos pra cá.

Hoje na hora do almoço, antes de sair para dar aula, minha irmã me contou da notícia que tinha visto no Jornal: um padrasto tinha espancado até a morte uma criança de apenas 1 ano e 4 meses.

Automaticamente fiquei chocado, 1 anos e 4 meses é indefeso demais, meu Deus!

Logo depois fiquei sabendo que a pediatra que atendeu a mãe da criança é minha aluna do curso de Teatro... que tristeza ver que o ser humano tinha tudo para ser algo de belo, de sublime e ver que somos tão mesquinhos, tão egoístas...

Ai chego em casa e recebo outra bomba: numa prisão em Santa Catarina, presos são torturados e um deles chega a ter a cabeça enfiada na privada.

Então dou um suspiro profundo e penso que as coisas realmente não tem mais jeito, que é o fim de linha pra nós, humanos.

Novamente me pergunto ONDE É, EM QUE MOMENTO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS??

Eu quero saber, exigo saber, ora essas, deve haver uma resposta.

SE ALGUÉM TIVER QUE SE APRESENTE!



Escrito por Mateus Barbassa às 01h07
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VESTIDO CURTO E VESTIDO DE NOIVA!

Gente, que coisa assustadora isso que aconteceu com uma estudante numa Faculdade em São Paulo.

Vocês estão sabendo?

Uma estudante chamada Geyse Arruda foi hostilizada por cerca de 700 alunos simplesmente por estar usando um vestido curto.

Fiquei chocado com as imagens, estudantes parecendo vândalos correndo atrás da moça, xingando, zoando, tentando invadir a sala de aula pelas janelas e tudo por quê?

Um vestido rosa curto!

É o fim, Mon Dieu, parece que voltamos a era da caverna, se é que algum dia saímos de lá?!?

O que mais me assusta nessa história toda, é você ouvir alguns estudantes dizendo que a culpada por toda aquela agressividade era a tal moça.

Em que país vivemos?

Não é o mesmo Brazyl que eu conheço, o Brazyl das bundas empinadas, dos seios siliconados e de fora nos Carnavais, no país em que meninas que vão à baile funk sem calcinha não paga ou é?

O que mais me incomoda nessa história toda é perceber que anos e anos de feminismo ainda não surtiram o efeito desejado, pois, ainda hoje as mulheres são tratadas como sub-produtos dos desejos masculinos, ou para falar português claro, são tratadas como MERO DEPÓSITOS DE PORRA!!!!

E de quem é a culpa?

A fala dos adolescentes dizendo que ela era a culpada, me lembra certo político que certa vez disse que moça que sai de casa com roupa curta pede para ser estuprada!

Fico assustado com a forma que os homens tratam as mulheres, me parece que se as mulheres não tivessem uma buceta e um par de seios, os homens nunca se aproximariam delas, viveriam para sempre em suas cavernas empunhando garrafas de cerveja, arrotando chucrices e idiotices.

Mas ai nesse momento me vêm uma pergunta: quem educou esse meninos, esse homens?

Em quase 100 por cento das vezes, quem educa mesmo é a mãe, pois, ao pai cabe ir buscar o alimento/dinheiro lá fora.

Apesar de aparentarmos uma suposta modernidade ainda somos tão primitivos, entretanto, um primitivismo que nos arrasta pro que há de pior em nós.

Uma jovem hostilizada por jovens???? Dá pra entender?

Cadê a liberdade que os jovens tanto prezam, cadê tuas palavras de rebeldia?

Em que privada vomitardes teus ideais, PORRA!

Toda semana agora tem uma balbúrdia envolvendo adolescentes, jovens e pior é que é sempre universitários.

Os futuros profissionais do Brazyl!!!

Simone de Beauvoir deve estar se revirando no caixão, assim como Nelson Rodrigues (porque aproveitando o ensejo, hoje eu assisti uma montagem tão infame de "Vestido de Noiva" dirigida por Gabriel Villela que eu fiquei envergonhado por presenciar tamanho desrespeito à uma de nossas obras mais geniais, prometi à mim mesmo que não ia comentar nada aqui, mas não consegui, sorry.)

Ah, se querem conhecer a Juventude Brasileira assistam o soco no estômago em forma de filme chamado "Cama de gato" (não confundam com a Novela das seis, crianças, por favor... porque hoje se eu tivesse uma arma tinha sido PUMMM no Marcelo Antony, PUMMM na Leandra Leal e cia limitada, mas principalmente um PUMMMMMM ESPECIAL na cara deslavada do Gabriel Villela)

Me segura que eu hoje eu to com a GERARDA!



Escrito por Mateus Barbassa às 02h00
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A VINGANÇA É UM PRATO QUE SE COME CRU?????????

Fui ver assistir "Bastardos Inglórios" no cinema e sai com a sensação de ter assistido um grande filme, com ótimas interpretações, com um direção segura de Tarantino e no entanto sai sentindo que faltava algo.
O filme logo na primeira cena já diz que veio, começando com um "Era uma vez..." e tendo um excelente diálogo entre um fazendeiro francês e o Coronel Landa, o "caçador de judeus".
Álias essa cena é antológica, com atuações soberbas dos dois atores que a interpretam.
É justamente nesse cena que conhecemos o trabalho do alemão Cristoph Waltz, o homem simplesmente arrassa no filme, alternando intenções, idiomas (alemão, francês, inglês e italiano fluentes) ritmo de fala, humores e expressão facil.
O ator compõe uma personagem tão fabulosa que o ingresso já vale a pena pela interpretação dele (algo como o Coringa do Heath Leadger no Batman).
O filme é do Coronel Landa e ponto final, apesar de todas as atuações no filme estarem ótimas :o ator que faz Hitler é demais, ela faz um ditador cômico, histriônico, com gestos largos, a atriz Mélanie Laurent também está muito bem, alternando lirismo e vingança em doses certeiras...
Só não gostei mesmo de Brad Pitt, é aquela coisa, né... não que ele não esteja bem no filme não é isso, mas é na atuação dele que mais se vê Tarantino, Brad está propositalmente caricato no filme, mas um caricato de direção e não do ator, não sei se me fiz entender, mas...
A trilha é um caso á parte, excelente, épica, álias, o filme inteiro é épico, narrado em capítulos.
O filme é bem brechtiano, herda do teatro épico e didático do alemão Bertolt Brecht a teoria do Estranhamento e a inserção de informações ao espectador atráves de legenda, narração ou coisas escritas na tela, além, é claro, da trilha que parece todo tempo desdizer o que vemos em cena.
Até o terceiro capítulo o filme é ótimo, com referências cinematográficas que pululam na tela.
Porém o quarto capítulo, apesar de querer ser "engraçadinho" é o mais chato.
O final é esplêndido e inventivo, Tarantino embuído do espírito explicitado logo no começo do "era uma vez" modifica o rumo da história e nos dá a tal vingança judaica, numa cena com ecos do final do filme "Dogville" de Lars von Trier.
Enfim, um bom filme, com atuações excelentes, que tem uma duração longa, com meia hora a menos teria sido melhor ainda.



Escrito por Mateus Barbassa às 02h20
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TODO SEXO SERÁ CASTIGADO!

"Anticristo" o novo filme do dinamarquês Lars von Trier foi acusado de misógino, apelativo e excessivamente violento.
Bom, numa peripécia digna de novela, eu consegui assistir o filme.
Na Província onde moro, é óbvio que o filme não entrou e nem entrará em cartaz, eu já estava até conformado, pensando em ir pra Sampa assistir ou esperar sair em DVD, quando não mais que de repente, um amigo, Lucas Arantes, me liga dizendo que estava com o filme em mãos.
A Cópia do filme era Promocional, com certeza pertencia à algum jornal ou crítico.
Na hora que ele disse isso eu comecei a tremer, pois, esse é o filme que eu mais queria ver esse ano.
Sai correndo e fui...
O filme começa com um Prólogo todo filmado em preto e branco e em câmera lenta que é uma das cenas mais lindas já filmadas na história do cinema.
Vemos uma casal transando e uma criança dentro de um berço, tudo ao som de uma ária “Lascia ch'io pianga” e num take ousado e belo mostra em primeiro plano uma vagina sendo penetrada por um pênis, para logo depois mostrar o filho pequeno caindo do alto do prédio.
Lars recria em filme a tão falada cena primária freudiana, na qual o filho vê os pais transando.
Enfim, só pelo excelente prólogo “já vale o ingresso”.
Torturada pela culpa a personagem “Ela” vivida com coragem, desprendimento e talento pela cantora Charlotte Gainsbourg entra num tortuoso processo de depressão e seu marido vivido com não menos coragem, desprendimento e talento por Willem Dafoe, que é um psicanalista, decide fazer com que Ela enfrente seus piores medo e possa sair desse processo depressivo.
Numa conversa Ela revela para Ele que teme uma floresta chamada Éden e é ali que o enredo do filme quase inteiro se passa e ambos partem para lá, acreditando que encontraram respostas para a dor e o luto.

Aos poucos ficamos sabendo algumas coisas que fazem com que ela tema o local; uma vez quando estavam lá ela ouviu o filho chorando e não conseguia localizá-lo e também por ser ali o local onde Ela não conseguiu acabar uma tese no qual escreve que natureza é má “é igual a satanás” e a mulher seria a personificação dessa maldade.
Fazendo uso da chamada psicoterapia cognitiva ela pouco a pouco se cura de sua depressão e nesse ínterim Ele acaba descobrindo cadernos e fotos do filho deles no sótão
Nessas fotos, vemos que Ela colocava sapatos invertidos no pé do próprio filho para impedí-lo de andar, Ele então confronta-a com as fotos e Ela pira novamente, só que desta vez transferindo para a figura dele todo o seu ódio.
Com requintes de crueldade e extremamente bem filmado o diretor mostra ela fazendo um buraco na perna dele e colocando um peso de metal ali, impossibilitando-o também de andar.
Dessa parte pra final, Lars mantêm o espectador em suspensão, tirando-lhe o ar, com seqüências extremamente cruas e fortes, auto-mutilação, masturbação, sexo desenfreado, animais que representam três mendigos e muita tensão.
Lars não é e nem nunca será um diretor palatável, fácil, para “sentir” o filme é necessário ter conhecimentos bíblicos, pois muitas passagens possuem essa inspiração, tais como a do Jardim do Éden, a da raposa “que veio pra matar, roubar e destruir” falando que o Caos Reina, a própria questão da Mulher que é seduzida pela serpente e come a fruta da árvore do conhecimento do bem e do mal e oferece ao homem, espalhando assim sobre a terra as sementes do pecado.
Além disso, Lars utiliza os conhecimentos psicanalíticos e sobretudo freudiano para explicar que numa sociedade cristã e hipócrita, a relação sexual vem sempre impregnada de culpa e de morte.

O escritor Nelson Rodrigues já tão bem tinha entendido esses ensinamentos e agora vem Lars e mostra que também entende do riscado.
Num comportamento que ora tende pro depressivo ora pro sexualizado, Ela tenta fugir de si mesma e de sua natureza e Ele permanece apenas como objeto do desejo ou de ira dela.
Em seu novo filme Lars também prova que conhece muito de Nietzsche e do livro de nome homônimo ao filme “O Anticristo” escrito em 1888, nesse livro manifesto o autor alemão diz que a ética cristão é uma moral de gente vil e fraca que deturpou a natureza humana e transformou tudo que em nós era bom e forte em algo mau.
Em sua próprias palavras "o doentio moralismo ensinou o homem a envergonhar-se de todos os seus instintos".
No filme de Lars vemos todas essas influências e muitas mais em variados momentos do filme.
Muitos acusaram o filme de pessimista, mas não consigo enxergá-lo assim, muito pelo contrário, parece que o diretor quer nos dizer que somente através da transmutações de nosso valores poderemos um dia nos entendermos a nós mesmos e aos outros.
Enfim, um belíssimo e doloroso filme com atuações soberbas e uma direção absolutamente segura, apesar do diretor viver dizendo que não sabia direito o que estava filmando.



Escrito por Mateus Barbassa às 05h30
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O crack e o homem do AfroReggae

Quando será que começaremos a discutir seriamente o problema das drogas e alcoolismo no Brasil?

Acabei de ver pelo computador a matéria no Jornal da mãe que construiu uma cela dentro da própria casa pro filho viciado em crack.

Fiquei chocado e ao mesmo tempo indignado com a falta de políticas públicas, escolares e familiares que tratem do assunto como se deve ser tratado.


E para completar também vi a matéria dos policias liberando os assassinos do coordenador do AfroReggae na cara dura.

O Homem ficou lá no chão agonizando, e os policiais passeando "serelepes" pela rua e não fazem nada?

Será que eles pensaram que o homem estendido no chão era um mendigo? Porquê se fosse um mendigo não precisa de ajuda, não é mesmo!

Mendigo é mendigo, nem humano é, concordam? É só um mendigo, nem alma tem, não é meus senhores e minha senhoras?

Gente, vamos acordar!!!!! VAMOS FAZER ALGUMA COISA ALÉM DE PENSARMOS NA OLÍMPIADA DE 2016???????



Escrito por Mateus Barbassa às 05h27
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Eu nunca fui muito de acreditar em signos não...

Mas, hoje passei a olhar essas coisas com outros olhos.

Passei um mês complicadíssimo, cheio de problemas, brigas, ressentimentos, rancores, enfim, um inferno astral.

Faço aniversário dia 15 de outubro, sou do signo de libra....

Então hoje é dia 23 de outubro e entramos na casa do signo de Escorpião e não é que de ontem para hoje resolvi tudo o que tinha para resolver.

Parece que do nada tudo o que era grande e problemático demais, já não é mais assim...

Esquisito, não acham?

Por vias das dúvidas, agora, prometo que vou prestar mais atenção nessas coisas de signos... (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)

PS:

"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda" (Caio Fernando Abreu)



Escrito por Mateus Barbassa às 00h40
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A FESTA DA BALBÚRDIA

Gente, agora são 6 e 15 da manhão de domingo 18 de outubro.

Acabei de chegar da festa que me dei de presente de 28 anos de idade.

Eu nunca tinha feito uma festa pra mim, na verdade, nunca gostei muito de comemorar aniversário (acho que foi desde quando eu tinha uns 6 de idade e minha avó por estar viajando não foi no meu aniversário, me lembro até hoje da cena, eu debaixo da cama chorando e a "minha festa rolando").

Mas desta vez foi diferente, resolvi do nada fazer uma festa no meu espaço, na minha casa, no lugar onde faço minhas peças "Espaço A Coisa", o problema é que ele está reformando, mas mesmo assim fiz a festa no meio dos escombros.

Tava tudo tão lindo, luz negra, bexigas incandescentes, estrobo, videokê, música das balbúrdias e acima de tudo pessoas que amo muito, minha mãe, meus amigos-atores e não atores e meus alunos.

Algumas ausências foram notadas, acima de tudo uma em especial, mas desta vez não me escondi debaixo da cama e nem chorei, muito pelo contrário, me deixei levar pelo pancadão (kkkkkk).

Na verdade na verdade mesmo, me dei essa festa por achar que essa data que estou vivendo é especial, não pela idade, mas sim, pela mudança que estou passando.

Está tudo tão confuso ainda, sabe quando pessoas que você achou que estariam contigo pra todo vida e sente que elas não vão estar ali com você mais?

Pois é, é assim, mas fazer o quê? Resposta: Não sei.

Ganhei tantos presentes; dvs da Björk e cd e dvd da Maria Bethânia, livros e mais livros, perfumes, chocolates e um presente que me tocou profundamente, um dos meus alunos (Fernando Cardoso) fez um vídeo tão lindo com fotos minhas e dos meus espetáculos que quase chorei de emoção.

Ai não sei, é mágico se ver ali na tela, suas fotos, suas peças, seus amigos, sua vida enfim... ali... não é por uma coisa egolátra não, é apenas constatação de valeu a pena tanto esforço, tantas festas familiares perdidas, tantos sábados e domingos "perdidos" em ensaios exaustivos, tantas madrugadas "perdidas" na busca da música perfeita que se encaixa perfeitamente na cena, que ao ver tudo ali, assim exposto junto, dá uma friozinho na barriga e a sensação de "acho que dei certo na vida, que um tenho uma caminho, uma trajetória percorrida" me emocionou demais.

Obrigado Fer, sei que fez o vídeo em nome de todos os alunos, muito obrigado mesmo.

Nossa gente, mas estou cansado viu, minhas costas doem, meus pés estão moídos, minha cabeça a mil.

Estão pensando o quê? SER FELIZ CANSA, VIU....



Escrito por Mateus Barbassa às 06h31
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Presente de aniversário

"O que eu queria mesmo era um ombro amigo onde pudesse encostar a cabeça, uma mão passando na minha testa, uma outra mão perdida na minha.
O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse chá de laranjeira e me contasse uma história.
Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele"   (Caio Fernando Abreu)



Escrito por Mateus Barbassa às 03h07
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Ainda em estado de choque, resolvi escrever sobre a polêmica dos alunos que invadiram a Prefeitura da USP aqui em Ribeirão Preto (minha cidade) em protesto contra uma determinação que controla festas e outras atividades no campus.

Eu estou chocado porque numa faculdade alunos preocupados com festas?
Ou estou louco ou alguma coisa está errada?

Mais ou menos 170 universitários participam da manifestação que pede, ainda, a suspensão de uma notificação expedida em setembro devido a uma festa e que pode resultar em punição escolar.

A festinha em questão utilizava trios elétricos e bandas ao vivo.
Ah, muito legal, né?

É gente ou eu sou muito careta ou essa juventude está muito sem rumo.
Fico chocado com o modo que os jovens de hoje direcionam suas vidas, vivem sem sonhos, sem perspectiva, pulando de um barzinho pro outro (hoje as universidades brasileiras deveriam ser patrocinadas por marcas de cervejas, os bares ao redor das escolas e universidades proliferam que nem ratos em esgoto) vivem à espera da próxima balada, na expectativa de beijar o máximo de gente possível, de virar à noite, ouvindo ou bate estaca ou tão propagado sertanejo universitário.

Um misto de asco e piedade toma conta de mim quando os vejo nas portas das “Facu”, nos barzinhos da moda country da Califórnia Brasileira (que de Califórnia mesmo só tem o calor impiedoso) empunhando suas latinhas de cervejas, seus cigarros mentolados ou essa praga chamada Narguilé.

Tão ridículos, tão idiotas e ainda se acham os donos do mundo, não percebem o quão insignificantes são, o quão vazia suas vidinhas são.

Os “caras” com “tattoo” descoladas no braços anabolizados, as meninas com decotes mostrando seus seios siliconados e suas bundas empinadas à espera de um bom cacete que enfim supram seu vazio existencial.

Monte de lixo com pretensão à casa, já escrevia em 1917 Álvaro de Campos no seu “Ultimatum”.

Meu reino não é daqui, vou completar 28 anos essa semana e digo isso sem arrogância nenhuma, não me identifico com a minha geração.

Um povo letárgico, desanimado, desarticulado politica e culturalmente.

Poderia apelar aqui e dizer que a juventude de antigamente era diferente, mas, não sei como era a juventude de antigamente.

Mas como somos seres históricos, podemos dar uma olhadela no passado recente do nosso BRAZYL, A REPÚBLICA DAS BANANAS e constataremos consternados que realmente a juventude de antigamente era mais PRA FRENTEX.

Isso tirando todo e qualquer ranço de “ideologismo” de esquerda barato. (pois depois de Lula, Sarney e Dilma a esquerda está morta, enterrada, sepultada e já até rezaram a missa de sétimo dia)
Esse ano “comemoramos” 45 anos do Golpe Militar e só agora temos em nossas fuças a Juventude que a ditadura queria.

O plano deu certo, atrasado, mas deu, não dizem que vingança é um prato que se come frio????

E os arquivos da Ditadura quando serão abertos?
Um país sem acesso à sua memória é uma país morto.

Faça alguma coisa de útil senhor Lula, ao invés de ficar chorando por causa da Olimpíadas no Rio em 2016.

Num país onde o próprio Presidente é um salafrário de marca maior, o que esperar do seu povo?

Talvez declarações como essa (?):
 
“Tudo o que vai fazer aqui a gente tem que pedir autorização e eles vão decidir o que é importante e a gente acha que essa limitação é muito grande. Como é que as nossas entidades vão conseguir sobreviver sem ter renda ou como a gente vai conseguir viver na faculdade sem se confraternizar?, questiona o estudante Lucas Von Zuben.

Ora senhor Lucas Von Zuben toma vergonha nessa sua cara, rapaz!
Desde quando as festas na USP podem ser chamadas de confraternização?

Uma vez fui convidado para declamar Clarice Lispector numa “festinha” da USP, era da turma de Psicologia, fui todo animado, chegando lá, quase morri de desgosto, um povo bêbado, mal articulado, se drogando, meninos e meninas se pegando, enfim uma Sodoma e Gomorra bíblica.

Eu não sou puritano, muito pelo contrário, mas, creio que tudo que é exacerbado, esconde na realidade um grande vazio existencial.

Vazio esse que os jovens TENTAM aplacar com micaretas, festas, sexo, drogas e Victor e Léo,  César Menotti & Fabiano, João Bosco & Vinicius, Jorge e Mateus e a corja dos sertanejos universitários que de universitário só tem a mediocridade musical.



Escrito por Mateus Barbassa às 03h35
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